Apesar do preconceito da sociedade e das limitações impostas por profissionais da área de esportes, crianças cegas estão praticando ginástica olímpica em Curitiba. Reiniciaram neste mês as aulas do programa Educação Física na Comunidade, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). O projeto, que funciona em parceria com o Instituto Paranaense de Cegos, atende várias crianças com idade entre sete e 12 anos e já ajudou na formação pessoal de pelo menos 40 deficientes visuais.
Equilíbrio, coordenação motora e principalmente uma melhor noção do espaço fazem parte dos resultados apresentados nestes quase quatro anos de atividades. Mas o maior objetivo é mesmo a conquista da liberdade. ‘‘Aqui a criança têm que estar superando limites o tempo todo’’, conta Ângela do Rocio Gomes, uma das coordenadoras do projeto.‘‘Têm que girar, subir, saltar. Fazer coisas que são diferentes do que elas estão acostumadas a fazer. O objetivo é capacitá-las para que mais tarde possam fazer qualquer outra coisa, só que sozinhas’’.
Uma das alunas mais antigas do projeto, Sílvia Letícia Zimmer Maciel, de 11 anos, confirma o sucesso do programa. Pendurada na barra sem demonstrar o menor medo, ela parece se sentir à vontade. ‘‘Estou aqui desde o comecinho’’, diz ela. ‘‘Tem algumas coisas que eu ainda tenho medo, como as argolas. Mas adoro o solo. Me sinto relaxada e é muito gostoso’’, comenta.
Duas vezes por semana, o ônibus da própria universidade pega as crianças no instituto e as leva até o Centro de Educação Física. Uniformes, sapatilhas e todo o material é fornecido gratuitamente aos alunos. Em troca, a universidade tem a chance de proporcionar aos seus alunos de educação física a participação no projeto como bolsistas.
‘‘Eu acredito que o que eles sentem é a mesma gratificação que eu sinto quando estou com as crianças’’, explica Ângela. ‘‘A gratificação de ver que elas aprenderam alguma coisa e que estão se desenvolvendo com isso. Se superando’’. Os aparelhos são os mesmos utilizados por qualquer outro ginasta mirim, só que com uma metodologia e exercícios adaptados para os alunos especiais.

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