O preço da tarifa do ônibus urbano é pressionado por dezenas de fatores. Desde a redução do número de passageiros pagantes, por causa do aumento da frota de carros e motos, até o custo dos insumos como óleo diesel e pneus. Para definir o valor, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) é responsável pela elaboração da planilha de custos, que define o preço da passagem.
A confecção é uma verdadeira ginástica financeira. Mais de 40 itens têm de ser levados em conta para determinar a tarifa. Por exemplo, preço do combustível, pneus, manutenção dos veículos, salários de motoristas e cobradores, gratuidades, número de passageiros por quilômetro rodado.
Enquanto os preços dos ítens aumentam, o número de passageiros diminui. Segundo a CMTU, em 2000 eles eram 3,6 milhões por mês. No ano passado, o número estava reduzido a 3,3 milhões por mês.
Esse é um dos motivos, de acordo com o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, por que o índice de reajuste não poderia ter sido menor.
Outro agravante, segundo ele, é o número ''excessivo de gratuidades. Campos enumera: idosos, crianças, meia passagem para estudantes, entre outras. Campos argumenta que, por exemplo, há muitos velhinhos que têm poder aquisitivo suficiente para bancar o transporte.
''Quem é que disse que todos acima de 60 anos têm de andar de graça?'', questiona. O aumento da população de idosos também faz crescer, por consequência, a quantidade de gente que não paga.
A dificuldade existe hoje porque, no passado, era possível criar gratuidades sem indicar uma fonte alternativa de receita. E a prática é antiga. Começou com um decreto de D. Pedro, que isentou do pagamento carteiros e policiais militares. ''Essa foi a porta de entrada. Depois disso, as gratuidades nunca mais pararam'', alfinetou.
Outro fator apontado pelo presidente da companhia, é que a média salarial de motoristas e cobradores em Londrina é ''uma das maiores do País'': R$ 1.174,72 e R$ 845,00, respectivamente. ''E a carga horária também é menor, já que os motoristas do transporte urbano têm jornada de seis horas'', destaca Campos, lembrando que estes são direitos consolidados conquistados pelo sindicato da categoria.
Segundo o presidente, a frota e a quilometragem percorrida também aumentaram, por conta da abertura de novas linhas e novos trajetos para linhas já existentes. O número de ônibus é maior do que há seis anos: evoluiu de 247 para 337 veículos. Do total, 41 são microônibus.
''Pela qualidade que o sistema oferece, considero que a tarifa é muito alta, em função dos muitos problemas levantados nesses estudos. Mas é justa'', conclui. (F.R.F.)

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