Com olhos atentos e respiraçãoo presa a cada movimento das atletas, pouco menos de cem crianças pobres da zona sul de Londrina tiveram oportunidade ontem de entrar em contato a maioria pela primeira vez com a ginástica rítmica (GR). A apresentação, realizada na escola Oficina Pestalozzi, no Jardim Fransciscato, é o chamariz de um projeto da equipe de GR da Universidade Norte do Paraná (Unopar) para levar o esporte às comunidades carentes da cidade.
Além da zona sul, o projeto está sendo implantado também no Jardim Monte Cristo (zona leste), ponto considerado de risco para os jovens pela Promotoria de Infância e Juventude, afirmou a coordenadora Márcia Aversani Lourenço. Segundo ela, a Unopar é um dos parceiros da promotoria em um grupo, formado por vários setores, que estuda a inserção do jovem em crimes e situações de violência. Atualmente o grupo está fazendo um levantamento das carências das periferias.
Márcia explica que o programa de GR tem capacidade para atender 200 crianças anualmente nos dois bairros no Monte Cristo as aulas serão dadas no Salão Paroquial. ''Já temos uma escola de GR no campus, mas ela não consegue atender esse público pela dificuldade de transporte das crianças para lá', disse.
Além da possibilidade de desenvolver uma prática esportiva saudável, a GR pode ajudar na postura futura das crianças, argumentou a professora. ''O esporte traz saúde, disciplina, melhoria estética e, principalmente, uma valorização dessas futuras mulheres', afirmou ela, que não descarta a possibilidade do projeto também descobrir novos talentos.
Depois de ver a apresentação das atletas, sobraram interessados para fechar as 50 vagas do projeto e imitar os movimentos. 'Se a gente treinar não deve ser tão difícil', dizia, durante a apresentação, Maiara Pinheiro da Silva, de 7 anos idade ideal para começar no esporte. Talvez mais do que os exercícios, são as roupas, maquiagem e postura das atletas que chama atenção das meninas. 'Elas ficam bonitas, né', apontou a menina que sonha em ser médica e divide a casa com oito irmãos.
Segundo Maria Eloiza Ferreira, diretora da escola Oficina Pestalozzi uma instituição beneficente que só oferece atividades de contra-turno e profissionalizantes , a GR será uma boa opção para as quase 340 crianças atendidas pela escola. ''Isso casa com a nossa filosofia de possibilitar o acesso a tudo o que é excluído delas e que um cidadão deve ter, além de despertar possíveis potencialidades'', justificou.
As inscrições estão sendo feitas nos locais onde as aulas serão dadas.

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