O sol forte castiga. Os alunos, no entanto, não reclamam. Afinal, a aula de educação física é uma das prediletas de grande parte dos estudantes. A maior torcida é para que a chuva não atrapalhe os jogos e as atividades de lazer na quadra descoberta da Escola Estadual Rina Maria de Jesus Francovig, no Jardim Campos Eliseos (Zona Sul de Londrina).
  Mais do que o calor, o que incomoda os estudantes e professores é o que acontece do outro lado do muro. Um ginásio de esportes completo, com quadra poliesportiva, arquibancadas e vestiários, está sendo depredado por vândalos e dilapidado pelos furtos constantes. E o poder público parece estar inerte, uma vez que a instituição de ensino já mostrou interesse em manter o local em troca do direito de usufruir das dependências do ginásio que, não custa nada lembrar, foi construído com dinheiro público. Mas, até agora, nada de resposta.
  De acordo com professores da Rina Francovig, as obras foram encerradas há pelo menos 50 dias. E desde que o vigia que a empreiteira mantinha no local foi dispensado, os vândalos e assaltantes tomaram conta. Chuveiros, extintores, caixas de luz e até o cabo de aço do pára-raio foram levados. As paredes pichadas são uma marca do descaso.
  ‘‘Seria fácil conciliar o uso entre os alunos da escola e a comunidade do bairro. O ginário seria utilizado e todo mundo ajudaria na vigilância. Mas não conseguimos ainda essa parceria com a prefeitura’’, lamenta o professor Saulo Wanderley Belon da Rocha Velho.
  A diretora auxiliar Helena Noriko Ogido informou que um ofício foi encaminhado pela Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) em 25 de novembro, mas não houve retorno. ‘‘O que podemos fazer é aguardar uma resposta da prefeitura’’, aponta.
  Enquanto o poder público não toma uma decisão, o ginásio, cuja construção custou mais de R$ 470 mil, fica à mercê de bandidos.
  Outros problemas enfrentados pela vizinhança foram os atrasos na obra, por causa de difuldades financeiras da empreiteira vencedora da licitação, e o uso do local como mocó, ponto de tráfico de drogas e prostituição.
  De acordo com o presidente da Fundação de Esportes, Marival Mazzio, um vigia deverá ser contratado pelo poder público municipal na próxima semana. Outra medida será o estabelecimento de uma parceria com uma associação de moradores da região para manutenção do ginásio. Os alunos da escola Rina Francovig também deverão ser beneficiados.
  ‘‘O ginásio será usado às noites pela comunidade e durante o dia para projetos sociais e, mais do que nunca, para as atividades com os alunos da escola’’, garante Mazzio.

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