Gibiteca está espremida num porão
Leandro TaquesAlgumas aulas estão sendo realizadas em um espaço improvisado e a Fundação Cultural garante que a situação é temporária. Algumas aulas foram suspensasO acervo da Gibiteca de Curitiba não pode ser pesquisado. Desde abril todos os 55 mil exemplares estão encaixotados e alguns cursos de desenho em quadrinhos estão suspensos por causa de uma reforma no Solar do Barão. Outras aulas acontecem de maneira improvisada. As obras desalojaram a Gibiteca, que está ocupando uma área menor.
A assessoria da Fundação Cultural de Curitiba informou que a remoção da Gibiteca para a Sala das Carroças do Solar do Barão, um local maior e mais amplo, deve acontecer em no máximo dez dias. Depois disso, os cursos e consultas voltam ao normal.
A Gibiteca foi criada há 16 anos, em outubro de 1982 e possui em seu acervo publicações raras como o Suplemento Juvenil, encarte em forma de tablóide que circulou no Rio de Janeiro nos anos 30. O Almanaque Tico-Tico, publicado nos anos 40, também é uma das raridades do acervo, assim como exemplares antigos dos heróis americanos Batman e Surfista Prateado.
Um dos idealizadores da Gibiteca, o professor de Arquitetura Brasileira da UFPR, Key Imaguire Junior, conta que o projeto é dos profissionais da revista Casa de Tolerância nos anos 70, para reunir as publicações em quadrinhos e oferecer oficinas de aprendizado para cartunistas.
Para Imaguire, depois que passou a funcionar, a gibiteca foi deixando aos poucos a sua proposta maior de formar profissionais, passando a ser apenas uma biblioteca de HQs. Mesmo assim, Imaguire reconhece que a maioria dos profissionais que trabalham com animação em Curitiba só conseguiu sucesso depois de passar pela Gibiteca.
Essa impressão é confirmada por um dos coordenadores da Associação Paranaense dos Ilustradores e Quadrinistas (Apiq), Antonio Eder. Ele e os seus dois sócios da Núcleo Studio Gráfico, José Aguiar e Luciano Laganes, também passaram pelos cursos do Solar do Barão. Na Gibiteca foram criados os heróis locais como a Menina do Topete e a Gralha Azul, para manter as tradições culturais da cidade. (G.V.)





