Dia 31 de março. Esta é a data para o fechamento do Centro de Saúde Especial Bárbara Daher, o Getexcel. A direção da entidade anunciou que não tem mais condições financeiras para manter a clínica odontológica. A folha de pagamento dos funcionários está em atraso desde o começo do ano e a dívida da instituição é de quase R$ 50 mil.
A clínica está atendendo apenas no período da manhã e os funcionários estão ligando para os pacientes avisando sobre o fechamento da instituição. Há pacientes agendados até junho. A clínica tem 5,8 mil pacientes cadastrados e realiza 200 atendimentos por mês.
A presidente da entidade, Martha Beatriz Issa, afirma que os problemas financeiros começaram em 2013, quando não foi renovado o convênio com o município para repasse de recursos. Um novo convênio entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Getexcel foi assinado em abril de 2015, mas devido a problemas na documentação da entidade, o repasse do valor de R$ 4.320 só foi liberado em dezembro.
"Os repasses entre abril e dezembro não foram efetuados, porque a entidade precisava apresentar certidão negativa de débitos, abrir conta corrente específica para o convênio e fazer a prestação de contas para a Prefeitura e no site do Tribunal de Contas do Estado", disse o secretário de Saúde de Londrina, Gilberto Martin.

Getexcel fechará as portas em 31 de março
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De acordo com a presidente da entidade, as dificuldades financeiras impediram que a entidade realizasse o pagamento dos impostos referente à folha de pagamento. Para saldar a dívida e conseguir as certidões negativas, a Getexcel conseguiu dinheiro emprestado. "Como estávamos em dificuldade e com os impostos atrasados não conseguimos tirar as certidões negativas. Só conseguimos resolver isso em dezembro", disse Martha.
Além da falta do dinheiro da subvenção do município, o que, segundo a presidente, complicou a situação financeira foi a suspensão do atendimento por um mês, em junho do ano passado, quando a estrutura do prédio foi abalada após um temporal. A clínica chegou a ser transferida para a Unidade de Saúde Básica (UBS) do Jardim Campos Verdes, na zona sul, onde permaneceu por dois meses.
Durante o período em que a clínica funcionou na UBS caiu o número de atendimentos e, consequentemente o valor recebido do Sistema Único de Saúde (SUS) pela instituição, agravando a crise. Os atendimentos continuaram reduzidos, em função do prédio estar com setores interditados por causa das rachaduras e apenas um consultório funcionado. "A divida que tínhamos só vinha aumentando", ressaltou Martha.
Para continuar funcionando, a Getexcel precisaria de uma receita de R$ 15 mil por mês. A clínica recebe em torno de 2.500 por mês do SUS referente aos procedimentos realizados. O valor referente a terceira parcela da subvenção municipal não foi repassado. De acordo com Martin, a entidade ainda não fez a prestação de contas.
A situação da Getexcel vem sendo discutida com a Secretaria. A folha de pagamento é o que mais pesa nas contas. A direção queria poder utilizar o valor da subvenção para pagar os funcionários, mas a legislação não permite. "Tínhamos a esperança de poder utilizar o dinheiro para o pagamento da folha, por isso não usamos o recurso da parcela e daí não podemos fazer a prestação de contas", justificou Martha.
O secretário chegou a cogitar a possibilidade de ceder funcionários para desonerar a entidade, mas segundo ele, juridicamente não é permitido.
A entidade espera contar com a solidariedade da sociedade para manter as portas abertas. "Vamos parar dia 31 de março. Do Poder Público não podemos esperar mais nada. Se a sociedade de Londrina achar que o nosso trabalho é importante que nos ajudem", declarou Martha. Quem quiser ajudar a entidade pode ligar para os telefones 43/ 3348-0728 e 9983-9511.

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