''Eu vejo como uma forma que tenho de poder salvar outras vidas.'' A resposta mais do que rápida é da jovem mãe Tatiane de Paula Batista, de 19 anos, quando questionada sobre a importância da doação de leite materno. A avaliação dela resume bem o significado que a ação representa para inúmeras mães que, como ela, encontraram neste gesto de amor uma forma de ajudar a quem precisa.
É para homenagear o desprendimento dessas mães anônimas que o Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital Universitário (HU) de Londrina, em parceria com o fotógrafo Elias Haddad e apoio do curso de pós-graduação em fotografia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), está produzindo um calendário que terá como tema o aleitamento materno. O lançamento será em agosto, em Fortaleza (CE).
A foto de Tatiane, da filha Jhenifer, de apenas dois meses, e do marido Erick, produzida por Elias, é uma das doze que irão compor o calendário 2013, que terá uma tiragem de 2 mil exemplares. Este é o sétimo calendário produzido pelo fotógrafo que, apesar de todos obstáculos que já enfrentou em razão da Síndrome de Down e da deficiência visual ocasionada por catarata, não abandonou seu amor pela arte de registrar a vida sob seus diferentes ângulos.
''Estou muito orgulhoso por ter sido escolhido para fazer este trabalho. Primeiro, porque a fotografia é minha grande paixão e segundo, porque é a oportunidade que tenho de homenagear as mães, verdadeiras fontes de vida'', enfatizou Haddad.
Segundo a coordenadora do Banco de Leite Humano, Marcia Benevenuto, assim como Tatiane, todas as demais doadoras foram escolhidas por terem uma história marcante com o Banco de Leite. Um das mães é doadora pela terceira vez, e outra, mesmo com pouco tempo livre por conta do trabalho, não deixa de fazer a doação. Algumas são mães tardias. Há também as mulheres que foram mães muito novas e que enfrentaram dificuldades ao lado de seus bebês. ''São todas essas mulheres de garra e sensíveis à necessidade do próximo que queremos homenagear com a produção do calendário'', enfatizou a coordenadora.
Jhenifer nasceu prematura, com apenas sete meses em meio, e teve que permanecer por cerca de um mês no hospital antes de ir para casa.''Foram dias bem difíceis para nós. Eu e meu marido nos revezávamos para que eu pudesse comer e descansar'', lembrou a recepcionista. ''Mas foi a partir dessa experiência que eu pude perceber o quanto esses bebês precisavam da doação.''
Feliz por poder ajudar, Tatiane conta que a produção de leite foi tamanha que ela não precisava nem mesmo de aparelho para ajudar a sugar o líquido. ''Bastava a pressão com os dedos que o leite já saía e, nesse momento, eu me lembrava de tantas mães que gostariam de também poder alimentar seus filhos e não podiam. Doar meu leite foi também uma forma de agradecer a Deus pela oportunidade que tive'', acrescenta.
De acordo com Márcia Benevenuto, atualmente, o BLH está com o estoque baixo. No mês passado foram coletados 216 litros, enquanto o ideal seria acima de 300. O leite recolhido pelo Banco de Leite Humano (BLH) alimenta os bebês da UTI Neonatal do HU e é distribuído aos hospitais de Londrina e região. Segundo a coordenadora Márcia, o estoque tem de ser reposto o quanto antes para não prejudicar o fornecimento aos receptores.
Para ser doadora, a mãe deve estar bem de saúde, ter leite excedente e não fazer uso de medicamentos que podem impedi-la de amamentar o próprio bebê. Preenchido esse perfil, a mulher nem precisa ir até o hospital, basta ligar para o BLH que um profissional vai até a casa da doadora, para dar orientações sobre a coleta, distribuir a touca, a máscara e os frascos esterilizados para o armazenamento.
Serviço
Informações sobre o Banco de Leite Humano do HU: (43) 3371-2390

mockup