Orientadora de uma ampla pesquisa sobre o programa de reciclagem utilizado em Londrina, que avaliou o serviço desde a implantação até 2005, a professora-doutora Sandra Márcia Cesário Pereira da Silva, da área de Saneamento da UEL, afirmou que um dos diferenciais do programa era a gestão democrática. ''A prefeitura pagava o aluguel dos barracões e avaliava a eficiência do trabalho, mas não interferia na organização dos grupos. Com a paciência necessária à evolução, os próprios recicladores foram percebendo as mudanças necessárias para melhorar.''
Segundo ela, o sucesso do trabalho, que chegou a atingir 100% do município em meados da década passada, baseou-se na intenção de resgatar pessoas que, antes do programa, sobreviviam da coleta de materiais no antigo aterro sanitário. ''Eles tinham muita dificuldade e muito medo. O programa proporcionou o desenvolvimento da cidadania.''
O vínculo afetivo criado entre coletores e população foi fundamental para o desenvolvimento do hábito de separar o lixo. ''Os moradores selecionavam para ajudar as famílias a sobreviverem'', reforçou, acrescentando que a imposição de regras sobre a criação das cooperativas pode ter sido a causa do desagrado do grupo ligado à Coocepeve. ''O que é melhor para a gente nem sempre é melhor para o outro.''
Ela pontuou ainda que a crise na coleta está sendo sentida na Central de Tratamento de Resíduos, inaugurada no final do ano passado para substituir o antigo aterro. ''Há muito material reciclado no lixo, o que aumenta a ocupação das valas para rejeito e impossibilita a compostagem do material orgânico.''(C.A.)

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