Gestão atual rompeu ciclo dominante
Durante a maior parte desses 177 anos de existência, o município de Ponta Grossa foi administrado por integrandes da elite econômica e tradicional da cidade. Até 1996 o perfil médio dos prefeitos era de membros de famílias locais, donos de propriedades rurais ou de atividades comerciais urbanas.
Líderes populares e de camadas sociais mais baixas não tinham espaço político local até meados dessa década. Foi em outubro de 1996 que um legítimo representante popular, sem vínculos com as famílias tradicionais e sem pertencer aos grupos políticos dominantes quebrou a tradição. O radialista populista Jocelito Canto (PSDB) foi eleito prefeito do município.
Canto deu um novo perfil à administração, desde o atendimento direto a populares no gabinete do povo até o crescimento do número de denúncias públicas de corrupção na administração municipal. Apesar das denúncias e do crescimento das dívidas municipais, Canto define como suas principais realizações a valorização das classes baixas nas ações da prefeitura e a desarticulação do grupo político tradicional.
O próximo prefeito de Ponta Grossa será o populista Jocelito Canto, que disputa a reeleição, ou o deputado estadual petista Péricles de Holleben Mello. Conseguimos desarticular a elite dominante, só por isso já teria valido a pena.
A polarização entre o petista e o atual prefeito mostra como a transformação do perfil econômico de concentração em atividades de transformação de produtos agrícolas e atividades diversificadas está se refletindo na política. A opção dos eleitores é um indicativo de que o perfil de uma das sociedades mais conservadoras do Paraná está se transformando. (E.C.)





