Marcos NegriniNa vizinhançaValdelice, 19 anos, teve que procurar atendimento em PaiçanduGestantes que moram em Maringá são obrigadas a procurar hospitais da região para fazer o parto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apenas dois dos sete hospitais de Maringá aceitam as pacientes pelo SUS, número insuficiente para atender à demanda. O Hospital Itambé, de Itambé (37 km ao sul de Maringá) é o que mais realiza partos de gestantes de Maringá através do SUS, seguido pelo Hospital Samaritano, de Paiçandu (10 quilômetros de Maringá).
A maioria das gestantes é carente e não tem condições de pagar as despesas dos hospitais de Maringá para realizar um parto pelo sistema particular. A saída é procurar os hospitais da região que, por terem estrutura menor, conseguem realizar os procedimentos médicos pela tabela do SUS. Atualmente, o SUS paga o equivalente a R$ 190,00 para a cesariana. Deste total, R$ 120,00 ficam para o hospital e R$ 70,00 para o médico cirurgião.
De acordo com o diretor proprietário do hospital Itambé, médico José Gerdes Soares, são realizados em média 40 partos de gestantes de Maringá por mês. O mesmo hospital atende em média 10 pacientes de Itambé por mês. ‘‘Conseguimos atender às gestantes de Maringá porque o hospital tem uma estrutura enxuta que consegue sobreviver com o que o SUS repassa pelos procedimentos’’, diz Soares.
A maioria das gestantes atendidas em Itambé é paciente de Soares, que atende no Pronto Atendimento 24 horas do Jardim Alvorada, em Maringá. ‘‘Durante o pré-natal, estas pacientes já mostram preocupação com o parto porque não têm como pagar. Então encaminho-as para Itambé. Mas também atendemos muitos casos de emergência de gestantes que moram em Maringá e que não conseguem ter o filho nos hospitais da cidade através do SUS’’, diz.
Outra cidade recordista em atender pacientes de Maringá é Paiçandu. De acordo com o diretor proprietário do Hospital Samaritano, Francisco Vieira Filho, cerca de 35 gestantes de Maringá têm filhos em Paiçandu todo mês. Ele explica que 90% dos pacientes atendidos no hospital são de Maringá.
Dos 180 internamentos por mês - gestantes, clínica médica e pediatria - cerca de 100 são pacientes de Maringá. ‘‘O que o SUS paga não dá para ficar rico, mas temos consciência da carência da população de Paiçandu e dos moradores de Maringá que moram na periferia e que não encontram atendimento nos grandes hospitais’’, diz Vieira.

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