Gestantes soropositivas podem ter bebês saudáveis
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Elisa Marilia 
Da Sucursal
Albari RosaMaria Cristina Assef, do HC: dosagens já na 14ª semana de gravidezO tratamento em gestantes infectadas com o vírus HIV pode reduzir para 10% a probabilidade de os bebês nascerem soropositivos e desenvolverem a Aids. Sem qualquer intervenção com medicamentos, o risco de o bebê ser contaminado é de 30%. A informação é da infectologista Maria Cristina Assef, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
Com dosagens injetáveis de AZT a partir da 14ª semana de gravidez e durante o parto, reduzem-se as probabilidades de a criança nascer soropositiva. Em geral, o medicamento é administrado até os seis meses de vida dos recém-nascidos.
Segundo Maria Cristina, o número crescente de mulheres infectadas com o vírus HIV preocupa os infectologistas, porque paralelamente elevam-se os índices de crianças que nascem soropositivas. A recomendação para todos os médicos é para que se peça o teste de Aids como rotina nos procedimentos de pré-natal.
Por enquanto, os testes são realizados apenas em casos especiais ou a pedido da paciente. Ainda não existe uma recomendação oficial do Ministério da Saúde. Mas é sempre melhor ser medicamentado do que correr riscos maiores. Hoje já podemos oferecer tratamentos que se mostram eficazes, e não somente o acompanhamento dos doentes, disse.
Para as gestantes e depois para os récem-nascidos, os estudos com os medicamentos que compõem o coquetel anti-Aids ainda não são conhecidos. Apenas o AZT é recomendado nesses casos. O mas grave efeito colateral do AZT é a anemia, que em alguns casos exige a suspensão do medicamento, quando atinge níveis elevados.
Mas segundo a médica, a Aids está se transformando numa doença crônica, passível de ser controlada pelos medicamentos. As pessoas terão limitações devido à doença e ficarão dependentes de medicamento a vida inteira.


