A superlotação da UTI Neonatal e da ala de maternidade do Hospital Universitário de Londrina está colocando gestantes e recém-nascidos em risco. A situação descrita pelo diretor-clínico do hospital, Silvio Villari Filho é de caos e com perspectivas de se agravar ainda mais, chegando a faltar equipamentos.
Ele diz temer uma situação ainda mais grave, como de infecção hospitalar. ‘‘Nestas condições não há como garantir um atendimento sem risco para mãe e filho’’, alerta. Ontem oito recém-nascidos estavam internados, na UTI de Neonatal, que tem sete leitos. Na Unidade de Cuidados Especiais (UCI), 21 recém-nascidos estavam internados, quando a capacidade é para 10. A ala de maternidade com capacidade para 18 mulheres, estava com 21.
‘‘Segundo portaria do Ministério da Saúde, para cada dois recém-nascidos internados na UTI, deve-se ter um auxiliar de enfermagem. Hoje estamos com três, quando deveria ter quatro’’, afirmou Silvio Villari. Na UCI a situação é mais grave. Há um auxiliar de enfermagem para nove recém-nascidos, quando deveria ter um para cada cinco.
A orientação, segundo Silvio Villari é para que as gestantes procurem atendimento em outros serviços. Nos outros hospitais, porém, a situação não é muito diferente. A maternidade da Santa Casa, que faz uma média de 84 partos/mês e 91 internações/mês, há um mês não está atendendo gestantes em função da reforma do setor que só deve terminar em 60 dias. A UTI Neonatal do hospital também está superlotada.
Na Maternidade Municipal, segundo o diretor-clínico Ari Parreira, o atendimento está no limite. A Maternidade faz por mês uma média de 700 atendimentos e 350 partos e conta com 39 leitos pós-parto e 8 pré-parto.
Silvio Villari lembra que o problema de saúde pública em Londrina é crônico e atinge não só os setores de maternidade, mas também de pronto-socorro (PS). O PS do HU tem 37 leitos e trabalha constantemente com uma média de 36 pacientes a mais internados em cadeiras, macas, sofás.
Segundo o superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, a partir de 29 de dezembro serão atendidos apenas os casos de emergência e traumas no setor que irá sofrer reformas para ampliação de espaço. O PS da Santa Casa faz em média 6 mil atendimentos/mês no PS, destes 3,6 mil são ambulatoriais e 2,4 mil são de emergência.

mockup