Geriatra aponta fatores que contribuem para a longevidade
O geriatra Marcos Cabrera, de Londrina, diz que casos como o da dona Ana Rosa deverão ser cada vez mais comuns nos próximos anos. "Fatores como a evolução das condições sanitárias e a oferta de medicamentos atrasam o momento da morte. Porém, a tendência é também que as pessoas cheguem aos 100 anos portando várias doenças crônicas", pondera.
O médico revela que a maior parte dessas pessoas que chegam aos 100 anos é do sexo feminino. "Existe uma feminilização do envelhecimento, que acontece muito pelas condições de saúde melhores das mulheres, às questões socioafetivas. As mulheres vivem melhor o envelhecimento, são mais cuidadosas com a saúde e mais bem resolvidas", aponta.
Sobre o perfil de rotina ideal a ser adotado para gozar a longevidade, Cabrera pontua que é importante chegar a um meio termo entre a tranquilidade e a correria. "Precisamos ser ativos e não agitados. Quanto é muito ativo não é bom, mas é importante ter papel social, no trabalho, na família, ter equilíbrio", ressalta.
Não há ainda um estudo que avalie as condições de saúde de idosos centenários no Brasil. Mas em várias partes do mundo, cientistas já descobriram traços comuns a estes idosos. "Possuem características específicas, como genética boa. Se você tem pai ou mãe que viveram mais de 90 anos, a sua chance aumenta. Ela não é tão importante para chegar aos 70 ou 80 bem, mas para os 100, sim. Eles se alimentam sem exageros de gordura animal, comem muita gordura vegetal, verduras, frutas e cereais. Muitos deles fazem uso frequente de bebida alcoólica, como o vinho", descreve o geriatra.
"A questão socioafetiva também é muito importante. Todos eles têm interação afetiva com a família muito grande, têm papel na sociedade, em grupos. Essas são as características fundamentais, segundo os estudos", acrescenta o especialista.(R.S.)





