Gerente que descobriu cadáveres é assassinado
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Paulo Pegoraro e Agência Estado 
Petrônio Alves da Silva, gerente do estacionamento de um hotel na cidade de São Paulo, foi assassinado a tiros na noite de sexta-feira, 18 dias após ter comunicado à Polícia a existência de cinco cadáveres dentro de uma perua Caravan de Cascavel. Os cadáveres estavam sendo transportados do câmpus de Cascavel da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) para a Universidade de Santo Amaro (Unisa). Segundo a direção da Unioeste, é normal o processo de fornecimento de corpos para estudos nos cursos de medicina.
A Polícia paulista investiga possíveis irregularidades no transporte feito em carro particular (o normal seria ambulância) e vilipêndio de cadáver - quando são retirados das sepulturas. A Unioeste apura responsabilidades no caso. Um corpo não tinha identificação, outro estava identificado apenas como de Antonio Damar Ribeiro, e outro, de Lídio Constantino, constava como tendo sido sepultado como mendigo. A autorização para o transporte foi dada pelo diretor do câmpus, Paulo Sérgio Wolff. O transporte foi feito por Pedro Soares, o Pedrão, funcionário do IML de Cascavel que atua no câmpus através de um convênio.
A Caravan utilizada pertence a José Carlos Cintra, que é funcionário do câmpus e trabalha ao lado de Pedrão no setor de Anatomia e Necropsia. O veículo foi utilizado porque, na ocasião, não havia um carro da instituição disponível, segundo Wolff. Segundo a versão do diretor, Pedrão atrasou-se na viagem a Santo Amaro por causa do tráfego e, por isso, teve que se hospedar no hotel, na noite de 16 de junho, esperando a segunda-feira para entregar os cadáveres. Petrônio Alves da Silva ficou assustado ao vê-los no interior da Caravan, por isso avisou a Polícia.
Segundo informações de São Paulo, a Polícia investiga se há ligação entre o assassinato de Silva e o caso dos cadáveres. A possibilidade de latrocínio está sendo descartada, porque nenhum objeto da vítima ou do estacionamento do hotel foi levado por quem cometeu o crime. Em Cascavel, o processo administrativo instaurado pela reitoria da Unioeste pode estar completado nos próximos dias. Estão incursos o diretor e o funcionário do câmpus - Pedrão foi excluído por não ser funcionário, e houve apenas a comunicação do assunto à Secretaria de Segurança Pública.


