Gerente proíbe travesti no cinema
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 1997
Dary Júnior, 
de Curitiba
Kraw PenasAssédio a frequentadores teria provocado a proibiçãoEstá proibida a entrada de travestis no Cine São João, sala no Centro de Curitiba que só exibe filmes pornográficos. Essas pessoas vinham aqui para trabalhar e não assistir à projeção, justifica o gerente do cinema, Nelvo Lemoni. Nós poderíamos ser acusados de estimular a prostituição, completa. Ele se reúne hoje à tarde com a presidenta do Grupo Esperança, Marcela Prado, em busca de um acordo que possa rever a decisão.
Marcela diz que a medida da direção do cinema é inconstitucional. Os travestis também têm assegurado o direito de ir e vir, desabafa. Ela admite que o Grupo Esperança deve entrar na Justiça para acabar com a proibição da entrada dos travestis no Cine São João. Lemoni acha possível um acerto entre as duas partes. Só não gostaria de ser pressionado pela entidade, adianta o gerente.
Lemoni conta que a proibição se relaciona com a crescente perda de público do cinema. Muitos frequentadores reclamavam do assédio dos travestis e deixavam de vir, disse. O assunto chegou ao conhecimento da direção do cinema, que tomou a medida para evitar que a sala acabasse fechada pela polícia, acrescenta. O Grupo Esperança emitiu nota para classificar a atitude como discriminação contra pessoas cuja orientação sexual é diferente da convencional.
O gerente do Cine São João rejeita a acusação. Nós também proibimos a entrada de garotas de programa e casais que usavam a sala para realizar fantasias eróticas, avisa Lemoni. Se fosse discriminação, apenas os travestis seriam proibidos de entrar aqui, emenda. Embora recuse a pecha de preconceituoso, ele acredita que os travestis dificilmente mudariam seu comportamento para voltar a frequentar o cinema: Eles vivem da prostituição.
Os porteiros do cinema já flagraram travestis fazendo sexo com frequentadores nas poltronas. Isso vinha acontecendo há uns seis meses, informa um dos funcionários. O Cine São João exibe filmes pornográficos das 10h às 21 h. Seu público é basicamente formado por homens, principalmente de classes sociais baixas. Eles aproveitam folgas ou intervalos nos horários de serviço atrás de excitação em cenas de sexo explícito.


