Gerente foi assaltado três vezes
Em 21 anos de trabalho, o gerente de banco João Maria do Nascimento, 46 anos, foi vítima de três assaltos somente em 1994, todos na agência da Caixa Econômica Federal (CEF) da avenida Brasília, no Novo Mundo, em Curitiba. No primeiro, os assaltantes levaram apenas dinheiro. No segundo, um guardião levou um tiro na boca, apesar de não ter reagido. Ele não morreu. O terceiro assalto foi o que mais marcou a vida do gerente - ele se tornou vítima e levou um tiro que atingiu as duas pernas. ‘‘Nunca vivi um dia de pânico como aquele’’, conta.
Em 16 de novembro, o banco estava lotado quando cinco homens armados entraram para um assalto. João Maria conta que levou um dos assaltantes até o cofre, entregando-lhes todo o dinheiro - cerca de R$ 10 mil. Eles queriam mais e começaram a fazer ameaças. O gerente lembra que tentou acalmar os assaltantes, mas em vão - apesar de ninguém reagir, eles deram uma coronhada na cabeça do caixa que cuidava do cofre, José Megumi Tanaka, e desferiram contra ele um tiro à queima roupa. A bala passou de raspão na perna e Tanaka fingiu que estava morto.
O gerente tentou socorrer o colega e, ao dizer que não havia mais dinheiro, também foi baleado. ‘‘Eles encostavam a arma na minha cabeça, no peito e diziam que eu ia morrer’’. O tiro, de revólver calibre 45, atravessou parte da coxa direita e atingiu a outra perna. Cerca de 20 dias depois, João Maria estava jogando futebol. Mas muitos funcionários ficaram traumatizados e queriam transferência.
Um deles chegou a trabalhar só nos horários em que a agência não abria para o público. Dois meses depois, foi instalada porta de segurança, evitando que novos assaltos acontecessem. Há seis meses, João Maria foi eleito diretor da Associação dos Funcionários da CEF. Segundo ele, os bancários estão hoje mais sujeitos à violência devido principalmente ao desemprego. (E.E.S.)

mockup