A Polícia Civil de Maringá vai convocar a diretoria principal da Telepar Brasil Telecom para depoimentos no inquérito que investiga o esquema das centrais de ligações clandestinas descobertas em Maringá. Segundo o delegado operacional da 9 Subdivisão Policial de Maringá, José Aparecido Jacovós, o depoimento prestado ontem pelo gerente regional da empresa não foi suficiente para a polícia compreender os critérios utilizados pela telefônica para a instalação de linhas.
O gerente Homero Borba Passos disse ao delegado que o excesso de linhas em um mesmo endereço não caracteriza para a empresa uma central clandestina. Ele disse que nos últimos anos, com a ''socialização da telefonia'', as empresas passaram a ter metas de instalação e que as linhas são obtidas através de pedidos feitos por telefone. Passos afirmou que a Telepar Brasil Telecom ainda vai fazer uma análise das últimas ocorrências.
Para o delegado, o depoimento não conseguiu explicar situações como o fato de linhas desativadas serem utilizadas nas centrais. ''Temos um caso de uma linha desligada em um dia e no outro ser instalada em novo endereço sem critério algum'', disse Jacovós. Conforme o delegado, apesar da empresa ser ''vítima'' de estelionato por causa das fraudes cometidas contra o sistema, não vem demostrando interesse em ajudar a polícia a elucidar o caso.
Só no endereço de uma das centrais passaram mais de 100 linhas entre fevereiro e outubro deste ano. Desde o início do caso, foram localizadas na cidade sete centrais e mais de 180 linhas telefônicas utilizadas de forma clandestina. Grande parte das ligações foi feita para países do Oriente Médio. A polícia suspeita de possíveis contatos entre grupos terroristas e também de negócios para lavagem de dinheiro do narcotráfico brasileiro.
Em Londrina, a Polícia Federal está investigando mais um possível caso de clonagem de telefones. Desta vez, duas ligações internacionais para a Palestina, no Oriente Médio, foram registradas no telefone do pedreiro Leopoldo Ciboto, 22 anos, residente no União da Vitória 2 (zona sul). Este é o terceiro caso registrado na região.
Ciboto procurou a PF depois de receber a conta telefônica da Embratel, com a cobrança de duas chamadas realizadas no dia 27 de setembro, uma às 14h59 e outra às 16h36 para dois números diferentes na Palestina. Ambas registravam duração de apenas 42 segundos, o que não encareceu a conta total, de cerca de R$ 6,00. ''Mas eu achei melhor procurar a polícia porque acredito que deve vir mais alguma coisa em outras contas. Supeito que meu telefone possa estar clonado. Às vezes, vou usá-lo e só dá ocupado'', disse.
Segundo o delegado-chefe da PF em Londrina, João Luís do Prado, as ligações vão ser investigadas. A polícia já está investigando outros dois casos de clonagem em números de telefones de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina). Nos dois casos, os números estavam desativados e receberam contas com ligações para vários países da África e Oriente Médio, e valores de R$ 800 e R$ 23 mil. ''Se este caso também for de clonagem, ele deu sorte de receber uma conta com valor tão pequeno'', comentou. Em Cambé também já foi encontrada uma central telefônica clandestina. (Colaborou Telma Elorza)

mockup