Imagem ilustrativa da imagem Georreferenciamento pode ajudar a coibir crimes na zona rural de Londrina
| Foto: Anderson Coelho/Grupo Folha


O Sindicato Rural Patronal de Londrina apresentou um projeto à Secretaria Municipal de Defesa Social para tentar diminuir o índice de crimes que acometem os produtos da zona rural da cidade. A iniciativa, desenvolvida em parceria com uma empresa particular de videomonitoramento, consiste na comunicação entre localizadores que seriam instalados nas propriedades e tablets codificados nas viaturas que rodam a região. A vítima então acionaria uma espécie de botão de pânico, que auxiliaria as forças de segurança na localização do endereço assaltado.

Na proposta encaminhada no final de outubro à prefeitura, a direção do Sindicato Rural argumenta que o sistema, caso implantado, geraria uma economia de até 70% no atendimento às ocorrências pela Polícia Militar e Guarda Municipal. "Quando há uma solicitação feita por moradores, nem sempre as informações da localidade chegam com exatidão. Acrescenta-se ainda o baixo efetivo disponível para patrulhamento da área", salientou o presidente do órgão, Narciso Pissinati.

Como a sugestão ainda tramita internamente no Executivo, a intenção é que a parceria vire realidade em 2018. "Neste momento, temos que convencer os produtores da importância desse projeto. Para viabiliza-lo, acredito que 80% dos filiados ao sindicato deveriam ingressar financeiramente", contou Pissinati. Atualmente, a entidade rural possui 1.200 associados. "Não adianta só 10, 20 ou 30 pessoas comprarem os equipamentos. Tem que ter uma boa adesão".

Ele não soube dizer quais seriam os gastos porque "os estudos ainda estão sendo feitos". Para o produtor de hortaliças Eliel dos Santos Silva, há 20 anos no Patrimônio Selva, zona sul de Londrina, qualquer ideia de combater a criminalidade é bem-vinda. "Eu já tive a minha chácara invadida. Depois disso, coloquei quatro câmeras no entorno. Hoje acompanho qualquer atitude suspeita pelo celular. A tecnologia só vem pra ajudar", disse.

Sem querer revelar a identidade, um agricultor do distrito de Lerroville, também ouvido pela FOLHA, informou que em julho ficou sob domínio dos criminosos por quatro horas. "Quando cheguei em casa e abri a porta, me deparei com o revólver apontado pra cabeça. Enquanto era vigiado por um ladrão, os outros três levaram tudo. Sorte que a minha mulher não estava junto. É uma coisa que não dá pra esquecer", observou.

O secretário municipal de Defesa Social, Evaristo Kuceki, informou que já repassou o projeto do Sindicato Rural para manifestação da Procuradoria do Município. Em despacho do dia 13 de novembro, o órgão indicou alguns questionamentos, como a ausência de justificativa de interesse público, a falta de esclarecimento sobre a função dos localizadores e se a empresa responsável pelo sistema cobrará alguma contrapartida dos proprietários.

Kuceki adiantou que duas viaturas da Guarda Municipal atuam no patrulhamento rural. "Sempre compartilhamos a localização com a Polícia Militar. Por exemplo, quando determinada ocorrência está mais perto da PM, eles vão pra lá. Dependendo da gravidade, todas dirigem-se ao endereço repassado. Esse quadro seria ainda mais aprimorado com o projeto dos localizadores", concluiu.

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