O mito do pioneiro como figura central da colonização do Norte Paranaense também é colocado em dúvida na tese do professor Nelson Tomazi. Segundo ele, o exemplo mais emblemático dessa mitificação é o de George Craig Smith, apontado como um dos mais importantes pioneiros da região, e que chegou a receber os títulos de cidadão honorário de Londrina e do Paraná.
Segundo Tomazi, quando se verifica a biografia de Smith descobre-se que ele não passou de um funcionário da Companhia de Terras que pouco ou nada tem da figura lendária criada em torno de sua passagem pela cidade. Além disso, segundo o professor, Smith viveu apenas oito anos em Londrina durante o período da colonização. ‘‘Ele chegou em 29 e deixou a cidade em 37, voltando somente em 75’’, conta o pesquisador.
Para o professor da UEL, os mitos criados em torno da história da colonização do Norte Paranaense se enquadram dentro de um jogo de disputa de poder e delimitação de território iniciado pela Companhia de Terras e continuado pelas elites políticas locais. ‘‘Tentam homogeneizar a história para perpetuar uma versão oficial, que ignora toda uma realidade de exclusão social’’, avalia.
Os efeitos dessa manipulação histórica, segundo o professor, se refletem até os dias atuais. O mito da ocupação pacífica, por exemplo, ignora que nos anos 70 a família de Darly Alves, responsável pela morte do líder seringueiro Chico Mendes, fazia grilagem de terras na região de Umuarama. ‘‘Mais de 500 mil pessoas tiveram que deixar o Norte do Paraná na década de 70, na sequência desse processo de exclusão’’, lembra Tomazi.

mockup