Marcelo AlmeidaO pedreiro Gilmar Almeida e o pai, Manuel (acima), ignoram os riscos porque acreditam estar protegidos por Deus. Para os geólogos Oliveira e Salazar (ao lado), as áreas de preservação ambiental deveriam ser ocupadas ordenadamente para evitar deterioraçãoOs geólogos Oscar Salazar e Luís Marcelo Oliveira, que estudaram as áreas do Aquífero Karst na Região Metropolitana, afirmam que, caso a Sanepar continue a exploração dos poços subterrâneos sem medidas de prevenção em conjunto com as prefeituras, os acidentes geológicos provocados pela retirada da água tendem a aumentar. ‘‘Por consequência a empresa vai ter cada vez mais oposição à exploração do Karst’’, acredita Salazar. Ele afirma que a retirada da água acelera em séculos os acidentes. A Sanepar e a Comec já estudam ações conjuntas, diz o gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas.
Para Salazar, o estudo da Mineropar serve de suporte para o uso adequado do solo na região do Karst. Os dois estudiosos revelam os locais onde o aquífero pode ser explorado e aqueles em que a retirada da água causaria problemas graves. ‘‘É preciso planejar melhor a ocupação na área do Karst, pois ela é possível’’, afirma Salazar.
Ao contrário do que muitos governantes dizem, a ocupação das áreas de preservação é essencial para preservar o meio ambiente, afirma Oliveira. ‘‘A idéia de que áreas de preservação ambiental não devem ser ocupadas está errada. Elas têm que ser bem ocupadas, da forma compatível com o local’’, diz. Oliveira argumenta que a utilização correta desses lugares impede ocupações irregulares.
Para os geólogos, esse é o caso das áreas do Karst na Região Metropolitana, que sofre com a explosão demográfica e cresce a taxas de 4% a 5% ao ano. ‘‘A destruição ambiental nesses lugares é impressionante’’, afirma Salazar. ‘‘É um negócio assustador’’. Conforme ele, os prefeitos não conseguem reter as ocupações em locais inadequados.

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