Geólogo questiona declaração de professor
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quarta-feira, 09 de novembro de 2005
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
A declaração de que a situação em Leópolis é ''extremamente preocupante'' em função dos resultados da análise de solo e água feita pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) é questionada por representantes da fábrica de bateria Durexcell. A empresa está fechada desde o dia 17 de outubro por suspeita de estar contaminando a população. A preocupação foi ressaltada pelo professor doutor do departamento de química da UEL, Dílson Norio Ishikawa, em entrevista à Folha no dia 5. Ele é um dos que assinam o laudo com os resultados do exame.
De acordo com os laudos, a média está em 43 mg/kg de solo, enquanto a água de uma mina apresenta 0,0911 ppm (ml/ml), quando o limite de detecção (LD) de chumbo, de acordo com a condição específica da análise, foi de 0,053 ppm (ml/ml). Nos dois casos, friza Ishikawa, ''existe a contaminação''. ''O índice está acima do valor de referência e abaixo do nível de alerta, isto não significa que não exista a contaminação'', afirmou. Eles usaram como referência a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), de São Paulo, que diz que a concentração de chumbo no solo deve ser inferior a 17 mg/kg. O ambiente estará em situação de alerta quanto atingir 100 mg/kg de solo.
Ontem, um dos sócios da fábrica, Valmor Arruda, afirmou que a empresa vai entrar com uma ação contra o professor. A afirmação de que o resultado em Leópolis é ''preocupante'' também está sendo questionada pelo professor doutor em Hidrogeologia pela Universidade de São Paulo (USP) e também professor do departamento de Geociências desde 87 da UEL, André Celligói.
Celligói afirma que as análises da Cetesb não podem ter o mesmo parâmetro em avaliações de áreas urbanas e agrícolas. ''Não é possível utilizar os mesmos valores, porque as análises de referência da Cetesb foram feitas em solos íntegros de floresta, sem nenhum contato com o ser humano'', explicou.
Celligói afirma que o valor de alerta de 100 mg/Kg é que serve de referência. ''Abaixo desse índice, a Cetesb determina que não apresenta fitotoxidade''. O professor apresenta dados, baseado num relatório da Cetesb de Estabelecimento de Valores Orientadores para Solo e Águas Subterrâneas no Estado de São Paulo, numa publicação de 2001.
Acima do valor de alerta (100mg/Kg), o resultado já apresenta toxidade e as indústrias precisam fazer um monitoramento da área. ''Quando atinge os 200 mg/Kg, chega o valor de intervenção, quando é necessário remediar o solo. Para cada tipo de solo, existe um procedimento''.
Celligói afirma que os teores de chumbo naturalmente presentes no solo não são iguais. De acordo com o Atlas Geoquímico do Estado do Paraná, a região à margem esquerda do rio Tibagi até o rio Paranapanema (onde fica Leópolis), apresenta uma ''forte anomalia'' de chumbo natural presente na região. ''Isso não significa que a fábrica não tenha nada a ver com a situação'', afirmou.


