Geólogo afirma que Karst não é responsável por afundamento
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terça-feira, 20 de outubro de 1998
Israel Reinstein 
Geólogos da Mineropar (Minerais do Paraná) descartaram a hipótese de que o desmoronamento de um terreno em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba, anteontem, tenha alguma relação com a exploração do Aquífero Karst. De acordo com os especialistas da Mineropar, o afundamento do solo foi causado pela declividade do terreno e infiltrações dágua das últimas chuvas. Os técnicos, que estiveram ontem no local, acreditam que área não voltará a ceder, mas a prefeitura de Campo Magro informou que vai monitorar o terreno, para depois estabelecer um plano de recuperação.
O géologo Oscar Salazar, que ontem esteve analisando o terreno, explica que uma série de fatores influíram no deslizamento de terra. Salazar informa que a área que afundou, constituída de argila, está numa região de encosta e, com o excesso de chuva, o solo ficou empapado de água, cedendo com o peso. Além disso, ele também aponta que o desmatamento e o trânsito de animais colaboraram no deslocamento do terreno, causando um desnível de 2,5 metros. O que houve foi um processo natural, que foi acentuado por ações externas, diz.
Salazar acrescenta que o terreno de Campo Magro é diferente do aquífero. O terreno do Karst é calcáreo, diferente do que caiu, acrescenta o diretor de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas. O geólogo conta que nas encostas são frequentes as infiltrações. Esse processo se repetiu em Almirante Tamandaré, onde famílias estão se instalando em áreas de alta declividade.
Para recuperar a área afetada, a prefeitura estuda o reflorestamento ou nivelamento do terreno. O diretor de urbanismo de Campo Magro, Juliano de Castro Santos, afirma que a prefeitura vai primeiro verificar se o deslizamento não prossegue. Depois será escolhida a técnica mais adequada, quando o solo estiver estável e seco.
O gerente da Sanepar, Arlineu Ribas, diz que a população que vivencia os deslizamentos na Região Metropolitana de Curitiba acaba confundindo causas naturais com o Karst. Por isso, a Sanepar vai apresentar, em um seminário entre os dias 28 e 30, os resultados de dois anos de pesquisa no aquífero.


