Geólogos da Mineropar (Minerais do Paraná) descartaram a hipótese de que o desmoronamento de um terreno em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba, anteontem, tenha alguma relação com a exploração do Aquífero Karst. De acordo com os especialistas da Mineropar, o afundamento do solo foi causado pela declividade do terreno e infiltrações d’água das últimas chuvas. Os técnicos, que estiveram ontem no local, acreditam que área não voltará a ceder, mas a prefeitura de Campo Magro informou que vai monitorar o terreno, para depois estabelecer um plano de recuperação.
O géologo Oscar Salazar, que ontem esteve analisando o terreno, explica que uma série de fatores influíram no deslizamento de terra. Salazar informa que a área que afundou, constituída de argila, está numa região de encosta e, com o excesso de chuva, o solo ficou ‘‘empapado’’ de água, cedendo com o peso. Além disso, ele também aponta que o desmatamento e o trânsito de animais colaboraram no deslocamento do terreno, causando um desnível de 2,5 metros. ‘‘O que houve foi um processo natural, que foi acentuado por ações externas’’, diz.
Salazar acrescenta que o terreno de Campo Magro é diferente do aquífero. ‘‘O terreno do Karst é calcáreo, diferente do que caiu’’, acrescenta o diretor de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas. O geólogo conta que nas encostas são frequentes as infiltrações. ‘‘Esse processo se repetiu em Almirante Tamandaré, onde famílias estão se instalando em áreas de alta declividade’’.
Para recuperar a área afetada, a prefeitura estuda o reflorestamento ou nivelamento do terreno. O diretor de urbanismo de Campo Magro, Juliano de Castro Santos, afirma que a prefeitura vai primeiro verificar se o deslizamento não prossegue. Depois será escolhida a técnica mais adequada, quando o solo estiver estável e seco.
O gerente da Sanepar, Arlineu Ribas, diz que a população que vivencia os deslizamentos na Região Metropolitana de Curitiba acaba confundindo causas naturais com o Karst. ‘‘Por isso, a Sanepar vai apresentar, em um seminário entre os dias 28 e 30, os resultados de dois anos de pesquisa no aquífero’’.

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