Parte da população não está informada e consciente sobre as causas das grandes alterações climáticas que estão acontecendo no planeta nos últimos anos. A instabilidade está cada vez mais evidente. Altas temperaturas, secas prolongadas, vendavais, perda de terras agricultáveis pela erosão, entre outros fenômenos, modificam cada vez mais o perfil das estações climáticas e são um reflexo direto do mau trato que se deu e ainda se dá ao meio ambiente.
As afirmações foram feitas por Alexandra Andrade, geóloga e diretora-técnica da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), de Curitiba. A geóloga esteve em Londrina, participando da Jornada de Meio Ambiente para Jornalistas, que aconteceu ontem. O evento já foi realizado em Curitiba e terá sua última etapa em Foz do Iguaçu, no próximo dia 20. O objetivo dessas jornadas, além da troca de informações entre os profissionais, é manter o espaço para temas ambientais nos jornais, para que a população tenha maior acesso ao assunto.
Algumas das alterações drásticas no clima, segundo Alexandra Andrade, têm sido provocadas pela emissão de gases tóxicos como dióxido de caborno, metano, óxido nitroso, entre outros, provocando o chamado efeito estufa no planeta e o superaquecimento da atmosfera da Terra.
Segundo a geóloga, mesmo se houver uma diminuição de 50% só na emissão de gases tóxicos, sem falar no desmatamento desenfreado, a sociedade ainda vai sentir o efeito do mau trato ao ambiente pelas próximas duas décadas e precisa ser alertada para isso. A longo prazo, avisa Alexandra, a emissão de gases, o desmatamento e a falta de atenção com o ambiente podem prejudicar a produção de alimentos e o suprimento de água do planeta. Todo o desequilíbrio ambiental tem um efeito dominó na sociedade e gera consequências ruins nas áreas econômicas, políticas e sociais.
Segundo Alexandra Andrade a pesquisa tem trabalhado para encontrar alternativas tecnológicas para uso de energias renováveis e evitar a queima dos chamados combustíveis fósseis como o petróleo (gasolina e diesel) e o carvão, usados para gerar energia. Quando queimados esses combustíveis formam, entre outros gases, o dióxido de carbono, capaz de reter a luz do sol e não liberá-la na forma de calor, o que seria um fenômeno natural. Essa retenção provoca superaquecimento na atmosfera e desequilíbrio ambiental.
Como o modelo econômico energético brasileiro está baseado na queima de combustíveis fósseis, a geóloga alerta que é necessário mudar o comportamento das pessoas. É preciso que a população possa adotar medidas para conviver melhor com os efeitos maléficos disso, evitando desperdício de energia em casa e no trabalho, alto consumo de combustível, entre outras providências.
A sociedade, segundo a geóloga, pode também cobrar mais dos governos políticas voltadas para o setor ambiental para minizar os danos. ''As alterações climáticas drásticas acabam influenciado todo o ecossistema, produção agrícola, fornecimento de água e podem também gerar o aparecimento de doenças.''

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