Gente que faz
Como acontece muito, tem gente que diz que seu nome é Yuri. Não é. A história é longa e maravilhosa e começou pelos anos 50, quando seu pai, Mizuo Tamate, confeiteiro, teve o sonho de milhares e veio para esta Londrina. Instalou uma fábrica de pipoca e Luzia, logo que teve condições, passou a trabalhar com ele. Isto porém foi só até seus 14 anos quando iniciou a carreira que queria: cuidar da beleza das mulheres. Na época, gastava cerca de um mês para fazer uma peruca. Atualmente, especializada em mega hair, prótese masculina (''Os homens são muito vaidosos'', diz), próteses, apliques, entre outras, prossegue na tarefa mas com outra motivação. Luzia faz perucas para mulheres e homens que tenham de se submeter a tratamento, notadamente contra o câncer, e que perdem os cabelos. ''A doença é ruim, a falta de cabelos piora a auto-estima. Com uma aplicação boa, isto melhora a condição psicológica do paciente'', assinala. E Luzia teve uma motivação a mais, quando ela também teve câncer no seio e precisou submeter-se a tratamento. Ajudar outros, assim, tornou-se mais que uma profissão.
Até 1972, trabalhou em salões, aprendendo, crescendo. Lançou, então, o seu, o Salão Luzia. Sempre em locais alugados, Luzia mudou bastante. Manteve sempre, porém, a fidelidade dos clientes que conquistou ao longo dos anos. Pela metade dos anos 90 do século passado, afinal, instalou-se (tembém de aluguel) na Rua Pará, 831, em frente à capela do Colégio Mãe de Deus. E conta que a Yuri surgiu aí, por sugestão de algumas irmãzinhas do Mãe de Deus. Luzia explica: ''Yuri não é homenagem ao Gagarin, o primeiro astronauta da história. A palavra significa Lírio''. Tornou-se nome de fantasia e acabou passando para ela.
Não enriqueceu. Descendente de japoneses, quase foi para o Japão, pelos anos 90, com o marido, português. Não foi. Por que? ''Amo Londrina, amo minha profissão''. E nela Yuri está. Ajudando muita gente. Feliz com o marido, com o filho Sílvio, que se forma este mês em curso superior, pretende continuar trabalhando, porque Luzia-Yuri é alguém que realmente faz.
Hippies no Calçadão
A pedagoga Sueli Arias liga para contestar a decisão da CMTU de retirar os hippies do Calçadão. Para Sueli, hippie ''combina'' com Praça e ''só em Londrina se observa tal proibição''.
É mais um de tantos preconceitos, que se observa por aqui.





