Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
A restauração completa do único exemplar de bonde elétrico, que circulou em Curitiba até a metade de 1952, deve ficar pronta no próximo dia 15. O Birney, de fabricação americana, que usava na época o número 110, está recebendo os últimos acabamentos na pintura.
Há cinco meses, quatro funcionários da antiga Rede Ferroviária Federal, coordenados pelo mecânico e pesquisador ferroviário Carlos Dias Correia Augusto, estão se dedicando diariamente à reforma do bonde. Os custos da recuperação, estimados em R$ 50 mil, estão sendo cobertos pelo Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Curitiba. Depois de pronto, o veículo vai ser instalado na Praça Generoso Marques, atrás do Museu Paranaense.
‘‘Foi como montar um quebra-cabeça, porque o bonde estava bastante danificado’’, explica Correia. Doado à prefeitura de Curitiba, desde 1990 o Birney estava numa empresa de Araucária para ser restaurado. Mas, durante todos estes anos, ele não recebeu nenhum cuidado. ‘‘Recebemos praticamente uma carcaça. O mais difícil foi reproduzir as peças sem que alterássemos as características originais’’. Todos os equipamentos metálicos e de marcenaria foram refeitos na própria oficina da antiga Rede Ferroviária Federal. O restaurador se baseou em fotografias antigas para manter a originalidade das peças.
O projeto de construção deste modelo de bonde elétrico é semelhante ao utilizado na indústria naval. A maioria das peças são encaixadas, para evitar problemas de torsão e evitar trincas. ‘‘Como o veículo foi transportado muitas vezes sem qualquer cuidado com a estrutura dele, que é leve, tivemos muitas dificuldades para fazer alguns ajustes, como o dos vidros nas janelas’’. Para a transferência até a Praça Generoso Marques, Correia disse que vai ser usado um esquema especial de transporte, para evitar mais danos ao chassis do bonde.
‘‘O que nos facilita um pouco é podermos utilizar materiais modernos, como a massa plástica e tintas especiais, que vão conservar o veículo para que ele possa ficar exposto ao ar livre’’, salienta Correia. A preocupação com atos de vandalismo também foi priorizada. O acrílico inquebrável substitui alguns moldes de vidro. Outros equipamentos originais, fabricados em bronze, foram pintados.
No interior do veículo, todo em madeira de ipê e imbuia, já foram recuperados os bancos, as paredes e a moldura das janelas. A pintura das paredes, em tom de amarelo creme, o envernizamento das molduras e a preparação do sistema elétrico interno estão prontos. Só resta a reforma completa do piso, a última a ser realizada, e da parte mecânica do Birney. Externamente o bonde vai ficar com as cores originais usadas até a década de 50. O teto será num tom grafite, e o restante do veículo bicolor, amarelo e branco.O velho bonde Birney, de fabricação americana, está sendo restaurado para ser instalado na Praça Generoso Marques
Kraw PenasPassadoO mecânico e pesquisador ferroviário Carlos Dias Correia Augusto é o encarregado de restaurar o antigo bonde: ‘‘foi como montar um quebra-cabeças’’

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