Uma festinha de aniversário vai celebrar uma grande vitória, hoje, na casa da família Santos. Caio e Gabriela, filhos da dona de casa Marcele Gomes dos Santos, 21 anos, e do vigilante Ednaldo Ferreira dos Santos, 27, completam um ano. Os 12 meses passados desde o dia 17 de julho de 2004 acumulam uma trajetória de conquistas.
Nascidos com apenas 26 semanas de gestação (ou seis meses), os gêmeos enfrentaram a incubadora, medicamentos diversos e equipamentos para entubação nas primeiras semanas de vida. Com apoio da equipe de médicos e funcionários da UTI neonatal do Hospital Universitário (HU), as dificuldades foram superadas. Hoje, Marcele e Ednaldo comemoram, felizes, o primeiro ano de batalha pela vida dos filhos.
''A chegada deles foi cheia de surpresas'', contaram. Os ''sustos'' começaram com a gravidez não planejada e a notícia de que seriam duas crianças. Com menos de seis meses de gestação, Marcele passou a sentir dores e foi internada, em trabalho de parto, com um centímetro de dilatação. Depois de uma semana no hospital, apresentou febre alta e quedas de pressão.
''Para salvar a vida de Marcele, os médicos resolveram fazer o parto, mesmo sem saber se os gêmeos sobreviveriam'', contou Ednaldo. Após o nascimento, o diagnóstico de infecção no útero foi confirmado, o que manteve a mãe internada por mais quatro dias.
As duas crianças nasceram com pneumonia. Caio tinha 37 centímetros e 1,04 quilo. Gabriela, nasceu com 930 gramas e 35 centímetros. ''Duas semanas depois, quando passou o inchaço, eles ficaram com pouco mais de 800 gramas'', recordaram. Foram 75 dias de internação. Por quase dois meses, as crianças permaneceram entubadas. Um cateter foi colocado para facilitar a administração dos medicamentos.
A mãe tirava leite de três em três horas para garantir a alimentação dos filhos, que ainda não tinham força para sugar. ''Contamos com a ajuda do banco de leite'', disse ela, acrescentando que o esforço para alimentá-los exclusivamente com leite materno até os seis meses valeu a pena. ''Hoje, os dois quase nunca ficam doentes'', acrescentou, lembrando que os filhos fazem acompanhamento com pediatra, nutricionista e fisioterapeuta no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Segundo o casal, o desenvolvimento dos gêmeos surpreende até mesmo profissionais de saúde. ''Nunca nos deram esperança de que eles ficariam sem sequelas, mas os dois são perfeitos. Para nós, esse problema não importava. Só queríamos as crianças vivas, com a gente'', relatou Ednaldo. Evangélicos, eles se apegaram à fé para enfrentar os momentos difíceis. ''Muita gente orou por nós.''
Marcele e Ednaldo passaram pela experiência de deixarem os filhos no hospital, à noite, sem saber como seria o dia seguinte; pelo desespero de ouvir mudanças nos apitos dos equipamentos ligados às crianças; e pela obrigação de se retirarem da UTI quando isso acontecia.
Nenhuma dessas situações, entretanto, entristecia o casal, da mesma forma que quando eles observavam expressões de piedade no rosto dos visitantes. ''Tinha gente que comentava que eles eram muito pequenos, que pareciam passarinhos. Naquele momento, a gente queria ouvir comentários de esperança'', afirmou Ednaldo.
A despeito das dificuldades, o casal comemora o primeiro ano dos filhos com a certeza de que ainda realizarão muitas outras festas de aniversário. ''Para nós, eles são um milagre.''

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