Geada é considerada a inimiga número 1
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de julho de 1997
Walter Ogama Londrina 
Mário CesarOtimismoMárcio Tavares de Menezes: oportunidade de produção elevada O empresário Edunizete Luís Véspero, dono de uma corretora de café em sociedade com Gilson Azim, na sobreloja do Edifício América, diz que três fatores são fundamentais para o retorno da cafeicultura paranaense. A primeira delas é a geada, pois a ocorrência do fenômeno este ano e em 98 pode determinar não só a queda da produção no Estado nos próximos anos, como também influir na qualidade do produto.
A produção mundial, segundo Véspero, também é fator determinante. Sabemos que este ano não vai haver produção elevada de café em outros países produtores. Mas o principal dos aspectos a ser considerado, conforme o corretor, é a qualidade: Hoje o Brasil já tem parque cafeeiro em condições de competir no mercado mundial tanto em tecnologia de produção quanto em qualidade. O País está produzindo um café que pode ser classificado para o exterior.
A empresa que Véspero mantém com o sócio realiza prova e classificação. Na avaliação dele, a qualidade do produto brasileiro é resultado da persistência do cafeicultor paranaense de buscar variedades adaptadas ao solo e ao clima do Estado. A adoção de técnicas de cultivo recomendadas pela pesquisa agropecuária também é importante, segundo o corretor.
Mário CesarAtençãoJoão Américo: mercado dinâmico exige cautela do negociante
No 14º andar do prédio, o corretor João Américo encerra o contato telefônico com um cliente e reclama: O mercado de café é muito dinâmico. A gente tem que ficar atento a todos os acontecimentos. A cotação pode fechar em alta hoje e abrir em baixa amanhã.
Américo informa que as bolsas de mercadorias operam entre 10h15 e 15 horas. Antes da abertura das bolsas ninguém fecha negócio. No meio da semana, o café chuvado estava cotado em cerca de R$ 160,00 o saco de 60 quilos beneficiado. O café fino estava sendo comercializado por cerca de R$ 180,00. Américo lida com café há 29 anos. Ele ingressou no ramo como office-boy, aos 9 anos de idade.
Outro veterano, Milton Peron, lida com café há 27 anos e diz que antes do Edifício América ser inaugurado, em 1958, já trabalhava no prédio. Na época, era empregado de uma empresa de exportação. Atualmente, é dono de uma corretora no 13º andar.
Paulo Christino Filho, 35 anos no negócio, também aposta no retorno da cafeicultura paranaense: Se não gear este ano, o café volta com toda a força no ano que vem, confirma.
Márcio Tavares de Menezes, um dos tradicionais corretores de café de Londrina, acumula cerca de 30 anos de experiência no ramo e tem escritório ocupando duas salas do 8º andar do prédio. Menezes é de opinião que o sistema de plantio adensado é o principal responsável pela recuperação da cafeicultura. O Paraná como produtor é excelente, pois a terra dá resposta.
Ele concorda com o colega Christino Filho: Se passar dois anos sem geadas, vamos ter a oportunidade de produzir de quatro a cinco milhões de sacos de café por safra novamente. Segundo Menezes, o preço do saco de 60 quilos do café beneficiado, que estava em cerca de R$ 165,00 no meio da semana, pode ficar abaixo de R$ 150,00 sem representar perdas para o produtor. Há dois meses, o produto atingiu a maior cotação dos últimos anos e chegou a ser comercializado por R$ 300,00 o saco.
Apesar de otimista, o representante José Antonio Rodrigues é mais cauteloso: O café está voltando, mas não vai chegar a uma situação como a de antes da geada de 75.


