Mauro FrassonManifestante imita S. SebastiãoO Grupo Dignidade, entidade que defende os direitos dos homossexuais, realizou ontem, no centro de Curitiba, um protesto contra as declarações do padre carismático Marcelo Rossi sobre os gays. Padre Rossi disse em entrevista a uma rede de televisão, na semana passada, que homossexualismo é doença e, como tal, deveria ser tratada.
O protesto reuniu integrantes das entidades que compõem o Fórum das Entidades de Direitos Humanos do Paraná e fez parte das comemorações aos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. ‘‘Nos consideramos desrespeitados com estas declarações preconceituosas do Padre Rossi e decidimos divulgar a nossa posição’’, disse o presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis.
O protesto aconteceu em clima de alegria para atrair a atenção das pessoas para o tema. ‘‘Decidimos distribuir balas de hortelã para curar ‘as bichas’, pois antigamente se utilizava o chá de hortelã para matar as bichas (lombrigas)’’, ironizou.
Reis criticou as declarações feitas pelo Padre Rossi, principalmente porque a Organização Mundial de Saúde retirou o homossexualismo da classificação de doenças em 1993, procedimento idêntico ao adotado pela Sociedade de Psiquiatria dos Estados Unidos em 1973. ‘‘O padre deveria deixar de se meter onde não é a sua área. Seria a mesma coisa que eu começar a falar sobre religião’’, observou.
Para o presidente do Dignidade, em tempos de grandes conquistas da comunidade gay - o mais recente foi o apoio do presidente do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, à legalização da parceria civil entre homossexuais - este tipo de atitude não deveria acontecer. ‘‘Esta postura vai contra a Declaração de Direitos Humanos, que diz que todos os homens nascem livres e iguais’’, reclamou.

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