Gays da Bahia também apontam discriminação
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sexta-feira, 09 de outubro de 1998
Andrea Vendramini 
Não são apenas os homossexuais de Curitiba que reclamam ser discriminados pelos bancos de sangue. A situação não é diferente em Salvador (BA), onde bissexuais e homossexuais são barrados na triagem dos bancos por serem considerados grupos de risco. Sabemos de casos de pessoas que foram doar sangue em hospitais públicos para atender parentes e foram dispensadas na hora da doação porque disseram ser homossexuais, diz Denny Gomes, coordenador do Grupo Gay da Bahia (GGB).
A polêmica sobre homossexuais poderem ou não doar sangue foi levantada nesta semana, em Curitiba, pelo presidente do Grupo Digninidade, Toni Reis. Ele criticou a discriminação por parte dos bancos de sangue do Estado, que não aceitam homossexuais como doadores.
Gomes concorda com a linha de trabalho adotada pelo Ministério da Saúde, de que não existem mais grupos de risco e sim comportamentos de risco. Relacionar a Aids aos homossexuais é uma postura errada que contribui para disseminar ainda mais a doença entre os heterossexuais, já que muitos acham que estão menos expostos ao HIV, diz. Ele salienta que atualmente todos podem ser portadores do HIV ou de outros vírus. O crescimento da Aids entre as mulheres casadas cujos maridos têm vida sexual fora de casa é um exemplo concreto de que ninguém está imune, mesmo que não se evolva em situações de risco.
Outra forma de contaminação das mulheres que está aumentando, lembra, é a trasmissão do vírus HIV em relações sexuais com homens que se dizem heterossexuais mas são bissexuais. Ser homossexual não implica ter comportamento de risco, como usar drogas ou adotar comportamentos de risco, diz.


