Gaviões tiram sossego de moradores
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quarta-feira, 02 de novembro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Moradores da Rua Cariris, na Vila Casoni (Zona Leste), já não podem mais ir até o quintal com tranquilidade ou conversar com vizinhos no portão de casa. Há algumas semanas, eles receberam dois pequenos visitantes que estão mudando a rotina da rua, uma das mais antigas de Londrina. Um casal de gaviões da espécie conhecida como carijó resolveu adotar duas grandes árvores uma mangueira e uma seringueira como morada provisória para procriar e, motivado pelo instinto de defender os filhotes, está atacando todos que aparecem no seu caminho.
Pelo menos dois adolescentes e três adultos já foram vítimas das garras afiadas das aves. O filho de 13 anos da dona de casa Elídia Mara Molina teve a cabeça machucada três vezes. ''A última vez foi na segunda-feira passada. Em todas as vezes ele estava no quintal'', conta a mãe. Segundo Elídia, as aves chegaram ao bairro há cerca de três meses, mas os ataques começaram há uns 15 dias. ''Deve ser mesmo por causa dos filhotes, porque antes nunca tinham atacado.''
Os transtornos causados pelos novos moradores são muitos. ''Tenho tanto medo que nem me aproximo das árvores. A calha da minha casa está entupida, dá problema quando chove, mas ninguém tem coragem de subir no telhado para limpar porque qualquer movimento brusco é visto como ameaça pela ave.''
O motorista Luiz Antonio da Silva, proprietário da casa onde está a seringueira em que provavelmente foi feito o ninho, conta que a filha, também de 13 anos, foi atacada no portão. ''No ano passado estes gaviões já fizeram ninho aqui, mas não chegaram a atacar ninguém'', diz.
A dona de casa Justina Marianowski mudou seus hábitos, e agora só varre o quintal à noite, com medo das aves. ''Todo dia elas atacam alguém.'' O filho de dona Justina, Luís Marianowski, já recebeu unhadas no pescoço, orelha e cabeça. ''Parece que desta vez eles estão se sentindo donos da área, e estão mais agressivos.''
Para tentar capturar os visitantes indesejados e levá-los para local mais apropriado, um fiscal do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e um técnico do Centro de Investigação de Medicina Aviária (Cimapar) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estão fazendo plantão no local desde a tarde da última terça-feira. Armadilhas também foram colocadas na rota das aves, em cima de uma caixa d'água e no telhado de uma das casas.
Ariscas, as aves escaparam das tentativas de captura com redes, assim como das arapucas que utilizam presas vivas como chamariz. Ontem de manhã o rato utilizado em uma das armadilhas escapou e virou banquete de gavião. ''Chegamos às seis da manhã para ver se conseguíamos capturá-las, mas não deu certo. Amanhã vamos de novo'', afirma Anderson César Gonçalves, do Cimapar.
Gonçalves acredita que os gaviões que estão se reproduzindo na Vila Casoni já estão com os hábitos bastante alterados, daí a dificuldade de prendê-los. ''Quando estão nas matas, conseguimos pegá-los com bastante facilidade.''. Segundo o fiscal do Ibama Deusdete Ribeiro, assim que forem capturadas, as aves serão encaminhadas para uma das unidades de conservação do instituto ou para alguma mata distante de Londrina, para que não tenham chance de retornar. ''Se a distância for menor que 300 quilômetros eles voltam'', explica Ribeiro.


