A presença de gaviões no Bosque Municipal, no Centro de Londrina, já pode ter reduzido significativamente o número de pombas no local. A afirmação é do falcoeiro Anderson Cesar Gonçalves, que coopera com pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e vem estudando o comportamento das aves de rapina na cidade nos últimos anos.
De acordo com Gonçalves, a concentração de pombas no Bosque atraiu os gaviões-carijó por representar abundância de alimento. Ali, disse o estudioso, eles comem adultos debilitados e filhotes - cada um consome, em média, uma pomba por dia. No local foi registrada grande parte das 170 mil pombas amargosas contabilizadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) em dezembro do ano passado.
O falcoeiro afirmou que ainda não foi feita uma contagem dos gaviões no Bosque, mas que deve haver no máximo dois casais. ''Pela territorialidade, eles não deixam outros da mesma espécie se fixarem no mesmo local'', explicou. A presença dessas aves no Centro coincide com a época de reprodução dos gaviões e da maioria das espécies de rapina, que costuma ir de agosto a dezembro. Mas é possível que elas estejam no Bosque há mais tempo, já que permanecem no local da ninhada até os filhotes atingirem a maturidade.
''Cada fêmea bota de um a dois ovos. Esses filhotes vão ficar com os pais até o início do próximo ciclo reprodutivo, quando serão expulsos. Então é possível que os gaviões passem anos num mesmo local'', observou.
Gonçalves disse estar certo de que os gaviões já diminuiram o número de pombas no Bosque, não apenas se alimentando deles, mas os intimidando. ''Eles são predadores naturais das pombas, há milhões de anos. Então, por ''inteligência genética'', elas sabem que correm perigo se ficarem no mesmo lugar que os gaviões'', argumentou.
Seria possível ''roubar'' essa idéia da natureza e direcionar a predação para reduzir ainda mais a população de pombas? O falcoeiro acredita que sim. ''Precisaríamos atrair essas aves para a área urbana, revitalizando fundos de vale, por exemplo. Quando os gaviões expulsarem os filhotes desses locais, eles terão que procurar outros territórios, como o Bosque'', assinalou. Ele disse ainda que indivíduos jovens poderiam ser capturados em outras regiões e soltos no Centro de Londrina, mas para isso seria preciso autorização do Ibama.
A veterinária da Sema, Anne Christine Hiltel, informou que a secretaria já está estudando essa possibilidade e que a revitalização de fundos de vale já consta do projeto para redução da superpopulação de pombas. ''Mas não é uma solução de emergência, como o abate'', ressaltou. Anne admitiu que o sacrifício de pombas, decisão anunciada há cerca de um mês, ainda pode ser revisto.
''Isso (o abate) não é para já. Há a greve dos servidores municipais, a necessidade de licitação. Se até lá encontrarmos outras alternativas eficazes, podemos repensar'', declarou. Na próxima quinta-feira, a Sema volta a discutir o uso de um repelente contra aves que está sendo empregado em Ribeirão Preto (SP). Anne disse estar aguardando os primeiros resultados para saber se vale a pena adotar a idéia em Londrina.

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