Trazido por funcionários da Copel, que o encontraram caído no meio de uma lavoura, em Rolândia (Norte), o gavião Moisés, como foi batizado pela equipe de resgate, está internado no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde a tarde de anteontem. Ele recebeu os primeiros socorros da médica veterinária Carmen Hilst, especialista no cuidado de animais silvestres e está abrigado numa gaiola coberta com um pano para protegê-lo do barulho e do frio.
Conforme Carmen, Moisés teve apenas a asa direita quebrada e dentro de 20 dias pode receber alta. ''Se tiver condições de voo, será reintegrado à natureza'', prometeu a veterinária, que costuma conversar baixinho com o gavião para acalmá-lo. ''Ele pode ter batido num poste de energia ou ter sido atingido por uma pedrada'', supôs a veterinária.
Com cerca de 50 centímetros de altura e envergadura da asa de pouco menos de um metro, o gavião tem um colorido bem particular: cabeça acinzentada, corpo marrom, meio rajado, e peito branco. ''Ele é muito parecido com o gavião carijó, comum nessa região, mas por causa desse peito branco ainda não consegui identificar a espécie'', disse Carmen, avisando que por ser um animal de vida livre, ''o gavião não é nada dócil.''
Ainda segundo a veterinária, as garras devem ser a maior preocupação de quem manipula gaviões, pois é com as garras que essas aves matam a presa e se defendem do perigo. ''O bico é menos problemático'', garantiu Carmen, citando que o gavião normalmente se alimenta de pequenos insetos, roedores, preás e até aves de pequeno porte.
''Poderia ser um bom controlador de pombas, mas é uma opção que deve ser bem analisada, pois não compensa descontrolar uma espécie para controlar outra'', opinou a veterinária, informando que, durante a estadia no HV, Moisés será alimentado com camundongos de biotério, que são livres de doenças, ou carne crua. ''Camundongo é o alimento mais completo que ele pode receber, pois é semelhante ao que come na natureza'', explicou Carmen.
Segundo ela, como os níveis de estresse e de doenças aumentam em cativeiro, é recomendado que poucas pessoas manipulem o gavião. Neste caso, apenas ela e mais um funcionário do hospital. ''Isso inclui visitá-lo aos fins de semana para alimentá-lo'', brincou Carmen, contando que, apesar de não conseguir voar, ele será solto todo dia pela manhã no pátio do hospital para tomar sol.
''Tem bastante gavião em Londrina, mas como este eu nunca tinha visto'', comentou a veterinária, lembrando que gaviões podem ser criados em cativeiro com o objetivo de controlar a população de pombos ou como esporte de rapina. ''Quando usado no controle de pombos, ele acaba se tornando predador de outras aves pequenas, como canários domésticos'', ressaltou Carmen, citando que, no Uruguai, os gaviões são treinados para controlar pombas que vivem em aeroportos, com o intuito de evitar acidentes com as aeronaves. ''Uma coisa é certa, onde tem gavião, pomba não fica.''
Carmen alertou sobre a maneira correta de salvar animais de vida livre que sofreram algum tipo de ferimento: ''Quem encontrar deve acionar a Força Verde, que fará o resgate e trará o animal para o Hospital Veterinário.''

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