Gaúcha ensina a governar crianças
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terça-feira, 08 de abril de 1997
Da Sucursal 
Albari RosaIrene Rizzini, da Universidade de Santa Úrsula: política social infantilUma pesquisa concluída no ano passado sobre as políticas sociais voltadas para a infância mostra que o problema da criança e do adolescente no Brasil é diagnosticado como gravíssimo há mais de um século e, no entanto, tornou-se cada vez mais complexo. O estudo foi apresentado ontem, na Universidade Federal do Paraná, pela professora Irene Rizzini, da Universidade Santa Úrsula (RJ), que trabalhou no assunto durante dois anos.
A pesquisa realizada no Brasil faz parte do Programa Interamericano de Fortalecimento dos Sistemas de Bem-Estar Infantil, que realiza um comparativo sobre políticas sociais e infância em vários países da América Latina. Segundo Irene Rizzini, o trabalho pretende servir de subsídio para órgãos e instituições encarregados de elaborar as políticas para a infância.
O estudo - detalhado no livro A Arte de Governar Crianças - faz uma análise histórica dessas políticas desde o século XVI. Segundo a professora, em vários momentos é possível identificar uma preocupação com a atenção à criança. Mas, em geral, essa preocupação não ultrapassa o limite do discurso.
De 1872 até hoje, o percentual de crianças e adolescentes na população brasileira varia entre 45% e 57% e pelo menos metade deles nasce em famílias cuja renda per capita não ultrapassa meio salário mínimo, afirma Irene Rizzini.
De acordo com ela, a falta de políticas capazes de reverter esse quadro deve-se a questões mesquinhas. O Brasil é governado por uma elite que quer preservar seus privilégios, e criança não vota nem representa um investimento imediato, com frutos visíveis, afirma.
O estudo reconhece alguns avanços na história recente da atenção ao menor, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, considerado uma das leis mais avançadas do mundo na área. Em contrapartida, os indicadores sociais colocam o Brasil a par com alguns dos países mais pobres do planeta, diz a pesquisa.
Para a professora Irene, a atuação do governo Fernando Henrique Cardoso em relação à infância é decepcionante. Ela lembra que o atual governo extinguiu a antiga política nacional de bem-estar do menor, que ela reconhece como equivocada, sem oferecer uma alternativa adequada.


