As ligações clandestinas de energia elétrica –os chamados ‘gatos’– estão tornando tenso o relacionamento entre a Copel e moradores que praticam essa irregularidade. Em Curitiba, por exemplo, a empresa está recorrendo à escolta policial para conseguir desligar alguns desses ‘gatos’. Ontem, mesmo acompanhados de policiais militares, técnicos da Copel foram impedidos por moradores de fazer vistoria nas ligações da Vila Leonice, bairro Barreirinha. Na terça-feira a empresa retirou 29 ligações da vila e ontem acabou sendo impedida de entrar no local.
Em algumas áreas, temendo represálias por parte dos moradores, os funcionários da empresa só conseguem trabalhar durante o dia. Por questão de segurança, em áreas vizinhas a regiões onde existem os ‘gatos’, os técnicos não atendem chamados noturnos. De acordo com a assessoria da empresa, por mais que a solicitação de reparo seja em uma área regular, a presença do carro da Copel próxima de casas com ‘gatos’ já deixa os moradores em alerta.
As blitzes de retiradas de ‘gatos’ fazem parte da rotina da Copel. Segundo a assessoria, não há números atualizados, mas um levamento feito pela empresa em 1998, apontou a existência de aproximadamente 6 mil ligações irregulares nas periferias de Curitiba e outros municípios da região metropolitana. Em grandes áreas de invasão, já houve situações, segundo a Copel, de retiradas de até 300 ligações num mesmo dia. Como medida para dificultar as ligações clandestinas, a Copel, em alguns casos, utiliza cabos encapados.
De acordo com a Copel, o combate aos ‘gatos’ tem por objetivo não só inibir o roubo de energia, mas preservar a segurança dos próprios moradores e evitar prejuízos aos consumidores que pagam regularmente pelo uso da energia. As ligações expõem moradores dessas áreas a riscos constantes de choques, curtos circuitos e até incêndio, além da sobrecarga nos transformadores da Copel, que estão dimensionados para atender determinado consumo.
Segundo o presidente da Associação de Moradores da Vila Leonice, Mauro Tristão Dionísio, cerca de 150 residências estão em situação irregular e dependem dos ‘gatos’ para ter energia elétrica. A Copel só pode instalar rede elétrica em áreas regulares e com anuência dos órgãos municipais competentes. No caso da Vila Leonice, como se trata de área particular –invadida há seis anos –a prefeitura informou que a regularização não depende dela.
Os moradores da Vila Leonice ficaram de prontidão durante todo o dia de ontem para evitar a entrada de funcionários da Copel. No final da tarde, como forma de protesto pelo corte das ligações na terça-feira, eles queimaram pneus na Rua Raul Cun.

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