Gatos colocam muitas casas sob risco de incêndio
Ligações elétricas clandestinas, os chamados gatos, colocam em risco a vida de moradores de terrenos invadidos e outros já regularizados pela Prefeitura de Curitiba. Trabalhadores pobres, os moradores convivem com o pânico diário para economizar o dinheiro do aluguel. As ligações irregulares transformam os bairros em um emaranhado de fios à beira de uma tragédia. Frouxos e mal cuidados, eles ficam a poucos metros do chão, quando não encostados ao solo. O risco de um curto circuito é uma ameaça constante. Nesse caso, os habitantes de todas as casas ligadas pelo fios correm perigo. Os moradores possuem infinitas histórias sobre dias em que sai fogo dos fios, como eles dizem.
É nesse cenário em que vive o comerciante Eurico Dias Coelho, 41 anos, e três de seus nove filhos. Dono de um bar e empório na Vila Nossa Senhora de Fátima, no Abranches, Coelho tem a casa de madeira ligada por um gato à residência de uma vizinha. Ná época em que viemos para cá eu fiz o pedido de instalação de energia, mas quem tinha o relógio comunitário não permitiu, diz ele. Conforme levantamento dos próprios moradores, cerca de 80 das 104 casas da vila têm ligações elétricas clandestinas. O restante divide os chamados relógios comunitários de 13 postes, todos instalados pela Copel.
Coelho revela que é comum casas ficarem sem energia por causa do excesso de ligações em um único poste. Toda noite a rede de transmissão de energia fica cheia de faíscas por causa da sobrecarga, afirma. Ele diz que dorme sempre apreensivo, mesmo morando a cerca de 300 metros da rede de transmissão.
São poucos os moradores que tomam precauções para se proteger dos incêndios, a exemplo do carpinteiro Leonir Giacomini, 26 anos. Ele instalou disjuntores, que, a princípio, impediriam que as chamas chegassem a sua casa.
Sem essa proteção e a residência colada à rede, a dona de casa Lucinéia Sinval, 22 anos, não tem sossego. Mãe de um menino de um ano, ela reside em uma das poucas casas cuja ligação é legal. Vive o drama de ser prejudicada por aqueles que evitam pagar as contas de energia e fazem os gatos.
Apesar de se sentirem lesados, os moradores que estariam dentro da lei não reclamam. A gente não fala nada porque tem medo, diz um morador, que não quer ser identificado. Entre eles próprios existe discórdia. Lucinéia conta que um morador já chegou a cortar os fios das ligações clandestinas, mas os gatos foram refeitos. Outro morador acusa a Copel de ir ao local, mas não fazer absolutamente nada.
A assessoria da Copel afirmou que a empresa ainda não regularizou as instalações elétricas na Vila Nossa Senhora de Fátima porque espera a Prefeitura definir os locais onde devem ser instalados os postes. Conforme a assessoria, o trajeto da rua ainda não teria sido definido pela Prefeitura. A assessoria informou ainda que os funcionários que tentaram desfazer as instalações foram impedidos pela população.Marcelo AlmeidaSem respostaO comerciante Eurico Dias Coelho diz que fez pedido para instalação regular mas não conseguiu obterJames Alberti





