Gato de luz mata menina de 4 anos em bairro de Piraquara
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de novembro de 1998
James Alberti 
A menina Janaína de Oliveira Przedzemirki, 4 anos, morreu eletrocutada por uma ligação elétrica clandestina feita próxima a residência de seus pais, na Vila Guarituba, bairro Jardim das Orquídeas, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. O acidente aconteceu às 15 horas de terça-feira, quando Janaína era cuidada por uma irmã de dez anos. Os pais das crianças estavam trabalhando.
A menor é mais uma das vítimas das cerca de cinco mil ligações irregulares, os chamados gatos, existentes na região de Curitiba. A maioria absoluta delas está em loteamentos invadidos, segundo o engenheiro Humberto Sanches Netto, superintendente regional do Distrito Leste da Copel, que engloba a RMC e o litoral do Estado.
Conforme o superintendente da delegacia de Piraquara, Luiz Fernando Barbosa, que atendeu a ocorrência, a menina morava em um terreno onde existiam cerca de 60 gatos ligados à rede de alta tensão. Janaína morreu após tocar em um fio desencapado. Segundo Barbosa, ela ainda foi socorrida por vizinhos, mas chegou sem vida ao hospital da cidade.
Na rádio CBN, a presidente da Associações de Moradores do bairro, Aparecida Leonel, disse que esta não é a primeira vez que ocorrem acidentes com as ligações irregulares. Conforme ela, muitos casos nem chegaram a ser notificados, entre eles outra morte, a de um senhor de idade.
Aparecida disse que os pais de Janaína estão revoltados e que os moradores pretendem fazer um protesto contra a Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), para ela a culpada pelos acidentes. Aparecida acusou a Comec de falhar na fiscalização dos gatos.
O presidente da Comec, Luiz Massaro Hayakawa, disse, também à CBN, que a responsabilidade por essa morte e outros acidentes é dos próprios moradores, que fizeram as instalaçõe clandestinas. Segundo Hayakawa, a Comec não pode autorizar a legalização destas instalações porque as residências estão construídas em locais de alto risco, a maior parte delas em áreas de preservação ambiental.


