Diante dos apelos das vitrines do comércio, Ana, de 33 anos, não conseguia mais controlar sua vontade de gastar. ''Tudo me chamava muita atenção e, para completar, sempre gostei de perfumes, roupas e maquiagem. Acabou se tornando uma compulsão, mas que para mim era somente um prazer, um momento de euforia.''
Antes de conhecer o Devedores Anônimos, Ana diz que tirava de um lugar para cobrir outro. ''Fazia empréstimos, gastava todo o cartão de crédito e limite da conta. Minha dívida chegou a mais de R$ 5 mil, para uma pessoa que recebe um salário de R$ 700'' revela.
Até conhecer o grupo, foram anos tomando remédios, tratamento com psicólogos. ''O DA me proporcionou a identificação com outras pessoas. No grupo, não me condenam ou me chamam de caloteira. Sei que não posso sair de lá, mas hoje tenho dimensão do grande passo que já dei. Sempre que posso, ajudo a divulgar a doença, que nos faz sofrer muito'', diz ela, que frequenta as reuniões há 11 meses.
História parecida e não menos dolorosa é a de Maria Rita, que chegou a acumular mais de R$ 15 mil em dívidas. ''Sempre fui controlada, mas nos últimos anos desenvolvi a compulsão. Foram cinco anos só comprando, tanto que cheguei a ter 980 pares de sapato e mais de 40 cartões entre bancos e lojas. Ninguém percebe quando isso (vício) começa, apenas quando já está no buraco'', alerta ela, que hoje anda apenas com o cartão do plano de saúde e de ônibus.
Depois de um ano e meio participando do DA, finalmente conseguiu equilibrar as finanças. ''Sei que em um ano não terei mais nenhuma dívida, me procure novamente para confirmar. Agora, só compro o que preciso. O apoio do grupo foi fundamental nesse processo, pois posso compartilhar minhas dificuldades.'' (M.T.)

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