Gastos foram em móveis e dívidas
Os primeiros R$ 2,8 milhões da verba indenizatória da Copel, pagos no final de 2006, foram distribuídos entre as famílias Kaingang. Segundo o cacique Juscelino Vergílio, o dinheiro foi repartido proporcionalmente ao número de pessoas por casa. Considerando que a aldeia tem quase 1,5 mil indígenas, o valor per capita não chegou a R$ 2 mil.
Conforme a reportagem apurou junto ao cacique e outros moradores da reserva, a maioria dos Kaingang optaram por comprar bens de consumo como móveis, eletrodomésticos e roupas. Nada que tenha mudado a imagem humilde das casas ou o jeito simples de os índios se vestirem. Alguns compraram carros, que logo quebraram nas estradas de terra e pedregulho que dão acesso a Apucaraninha - prova da precariedade é que o automóvel da própria FOLHA atolou no caminho de volta da aldeia, entre Lerroville e Tamarana. Por conta disso, vários outros optaram por adquirir motocicletas.
A família do professor Cláudio Noéjev Galdino resolveu usar o dinheiro para arrumar o telhado da casa, onde moram sete pessoas, e quitar dívidas. ''Eram parcelas de compras, que a gente preferiu liquidar de uma vez'', diz.
Já o auxiliar de serviços gerais João Katog Marcolino, que trabalha na escola da aldeia, conta que usou o dinheiro para trocar móveis velhos e um televisor. ''Todos gostam de televisão, assistem jornais, novelas. Na hora do almoço, os índios ficam todos ligados no programa policial'', diz o pai de quatro filhos. E por falar em polícia, será que eles não temem atrair a ganância de assaltantes? ''Aqui nunca teve disso. Em compensação, já fui roubado duas vezes na rua, em Londrina.'' (V.N.)





