Gastos com viagens também são apurados
Gastos com viagens
também são apurados
Josoé de CarvalhoEduardo Alonso entrega documento ao promotor Cláudio EstevesAlém de questionar a participação de Eduardo Alonso nos contratos investigados pela promotoria, os promotores Bruno Galatti e Cláudio Esteves levantaram outros casos onde há indício de irregularidade.
Um dos problemas seria a contratação de uma empresa de ônibus para prestação de serviço. Além de atender projetos como o que conduzia crianças da periferia para o cinema do centro, por exemplo, a mesma empresa fez diversas viagens para cidades como Assunção (Paraguai), Petrópolis ou a praia de Bombinhas, no litoral de Santa Catarina. Torcidas organizadas de futebol e até igrejas foram beneficiadas.
Somente no ano passado, a Comurb gastou R$ 343 mil com essas viagens e, neste ano, mais R$ 179 mil. Eduardo Alonso disse que não sabia do contrato da AMA e alegou que as viagens da Comurb eram solicitadas diretamente pelo presidente da Comurb, Kakunen Kyosen.
Os promotores questionaram ainda a compra de R$ 100 mil em marmitex por parte da Comurb. Alonso reafirmou que a determinação era do diretor-presidente. Não tenho idéia para onde foram essas marmitex. Não era a minha atribuição. Ele também não soube informar sobre altos gastos da Comurb em restaurante durante a Exposição 99. Só num dia, disse Galatti, foram gastos R$ 15 mil.
Houve ainda um caso de empresas diferentes de Curitiba que constavam no mesmo endereço. Algumas delas, identificadas como Nova Forma e Kesikowski, por exemplo, venceram algumas licitações na Comurb e chegaram a concorrer entre si. O mesmo teria ocorrido com as empresas Ivano Adbo e Iasin, também de Curitiba. Alonso informou que Ivano Abdo seria proprietário da Iasin.
Outro problema levantado pela promotoria foi com o contrato da Comurb com a empresa de Esteio. Em julho de 98, foram pagos R$ 800 mil por serviços de levantamentos aerofotográficos. O mesmo tipo de serviço foi solicitado pela prefeitura, cuja comissão de licitação fazia parte Eduardo Alonso. Esta segunda licitação foi cancelada depois que a Folha noticiou que havia irregularidades no processo. Não sei se houve coisa errada, disse Alonso, acrescentando que os serviços, em cada uma das licitações, teriam diferentes finalidades.
Os promotores ainda questionaram a atuação de Alonso na última campanha política. O diretor afirmou que sim, cuidando de um comitê da Avenida Higienópolis (área central). Questionado pela promotoria, disse que não tem conhecimento se ônibus ou refeições contratadas pela Comurb foram usadas na campanha. No meu comitê isso não houve, garantiu.
Os promotores Bruno Galatti e Cláudio Esteves não quiseram informar à imprensa quais serão os próximos depoimentos. É certo, no entanto, que o diretor-presidente da Comurb, Kakunen Kyosen, os ex-secretário de Governo, Gino Azzolini e Wilson Mandelli, e a diretora de trânsito da Comurb, Lúcia Brandão que ocupou o cargo de diretora de operações da mesma companhia , serão ouvidos.
Além da promotoria, 14 contratos da Comurb com as empresas Vêneto e Sistema, de Curitiba, estão sendo investigadas em inquérito policial. Há suspeita de que os contratos foram forjados. As duas empresas também são citadas nos inquéritos que cuidam de irregularidades na AMA. (L.H.)





