O projeto de Lei que transforma a Coordenadoria Especial da Mulher em Secretaria Especial da Mulher acaba com serviços como Atenção à Mulher da 3ª Idade, Atenção à Mulher Adolescente, Oficina de Serigrafia, Oficina de Tecelã, Oficina de Macramê, Projeto Saúde da Mulher, Oficina de Sexualidade, Assistência Jurídica e outros serviços.
Um dos programas que será encerrado, o Centro Profissional da Mulher, foi incluído no orçamento da União do próximo ano para receber verba de R$ 210 mil para sua construção. O serviço funcionaria com a participação de técnicos das secretarias estaduais da Criança e Assuntos da Família e de Empregos e Relações de Trabalho. ‘‘Todos estes projetos não são onerosos para a prefeitura porque são feitos através de convênios com o governo do Estado’’, diz a chefe da Coordenadoria da Mulher, Cleide Camargo. ‘‘Este ano a despesa com a Coordenadoria da Mullher foi de 0,13% do orçamento da prefeitura’’, informa.
Na opinião dela, a mudança de coordenadoria para secretaria não traria resultados negativos se fossem mantidos todos os serviços oferecidos pelo órgão nestes cinco anos de existência e que resultaram, só em 97, em 12 mil atendimentos. E a maioria das mulheres que procura o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) não é vítima de violência física, mas de violência emocional, diz Cleide Camargo. Como violência emocional ela cita tortura psicológica, constrangimento e indução ao suicídio.
Para a coordenadora, é importante ser mantida a filosofia de atendimento atual da entidade, que oferece uma assistência global. Ela lembra que pesquisas demonstram que nas famílias onde há casos de violência contra a mulher, os filhos tendem a reproduzir o padrão, quando não há apoio psicológico.
‘‘A reforma como está limita o trabalho da Coordenadoria que hoje é prestado com eficiência’’, reclama Cleide. Ela comenta que cinco técnicos que atuam diretamente com a comunidade serão dispensados, inviabilizando a continuidade do serviço. A coordenadora lembra ainda que o órgão já trabalha com uma equipe enxuta, tanto que tinha o direito de contar com 21 funções gratificadas e só optou por sete. Cleide não quis comentar sobre sua permanência ou não no cargo. Afirmou apenas que precisa falar com o prefeito Antonio Belinati antes de tomar qualquer decisão.
Sobre a afirmação da vereadora Elza Correia, de possível desentendimento com o secretário Gino Azzolini, a coordenadora diz que as divergências entre eles existem só no que diz respeito ao destino da Coordenadoria. ‘‘Não conheço muito bem o secretário. Pessoalmente, não tenho nada contra ele’’, afirma.

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