"O esporte agrega valores e saúde. Ele é inclusão e determinação." É com este pensamento que a estudante de fisioterapia Angelita Bonifácio está organizando em Londrina um time de basquete para cadeirantes. Por meio de um projeto social, o grupo já conta com dez atletas, sendo cinco rapazes que nunca tiveram contato com a modalidade sobre cadeira de rodas. O trabalho começou há dois meses e os participantes buscam uma melhor estrutura para verem seus sonhos se transformarem em realidade.

Equipe treina no Ginásio Moringão e busca recursos para melhorar a estrutura
Equipe treina no Ginásio Moringão e busca recursos para melhorar a estrutura | Foto: Marcos Zanutto



Segundo Bonifácio, uma parceria foi feita entre com o instituto José Gonzaga Vieira, com o objetivo de pleitear verba do Feipe (Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos) em 2019. "Estamos atrás de ajuda de empresas e prefeitura para que consigamos dar o melhor, porque eles (jogadores) têm muita vontade", destaca. O primeiro desafio está em conseguir cadeiras de rodas adaptadas, já que oferecem mais segurança que as comuns.

Conversas vêm acontecendo com membros da UEL (Universidade Estadual de Londrina), com o intuito de obter junto à instituição cadeiras adaptadas que eram utilizadas pelo time anterior de basquete de cadeirantes. A equipe, que era ligada à universidade, acabou por falta de patrocínio há cerca de quatro anos. Treinando uma vez por semana no ginásio Moringão, os atletas também buscam realizar suas atividades na UEL por conta da acessibilidade.

Contemplando o basquete, o projeto "Pernas preciosas" nasceu no início de 2018 com um coletivo de corrida para pessoas com deficiência. "Pensei em criar o projeto para cadastrar voluntários para empurrar as cadeiras de rodas de participantes deficientes em competições de corrida. Firmamos parceria com a Afel (Associação Famílias Especiais de Londrina), só que queria fazer mais. Ajudei em um evento no centro paraolímpico no Rio de Janeiro e vi a garra de atletas especiais. Nasceu ali o sonho de fazer um time de basquete para cadeirantes em Londrina", conta.

Wesley Alves de Almeida já fez parte de uma equipe de basquete: "O esporte nos dá resistência e ajuda na integração à sociedade"
Wesley Alves de Almeida já fez parte de uma equipe de basquete: "O esporte nos dá resistência e ajuda na integração à sociedade" | Foto: Marcos Zanutto



OPORTUNIDADE
Parte dos atletas que integram o time vieram da equipe anterior da modalidade da cidade e de indicações de instituições que oferecem atendimento de fisioterapia a este público. "Estamos sem uniformes e recursos, pagando tudo do bolso. Londrina é grade é precisa ter um espaço que ofereça isso. A cidade tem potencial para ter uma equipe", acredita Bonifácio.

Para o futuro o desejo é participar de grandes competições, como o Paranaense de Basquete em Cadeira de Rodas e o Parajaps (Jogos Abertos Paradesportivos do Paraná). "Não vou descansar enquanto não conseguirmos isso. Todos deveriam ter a oportunidade de ajudar um deficiente por meio do esporte."

"Só joguei basquete na época de escola", conta Victor Hugo Almeida
"Só joguei basquete na época de escola", conta Victor Hugo Almeida | Foto: Marcos Zanutto



SUPERAÇÃO
Paraplégico há cinco anos, Victor Hugo Almeida, 28, está no grupo e aprendendo as técnicas do basquete sobre cadeira de rodas. Para ele, tudo é novo, porém gratificante. "Só joguei basquete na época de escola. No time anterior fui chamado para participar, mas acabou e não consegui. Ainda tenho dificuldade em razão da cadeira que, por não ser adaptada, não dá firmeza e confiança, então cair é mais fácil. Independente de qualquer coisa, daqui para frente será somente progresso", projeta.

Morador de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), Wesley Alves de Almeida, 31, tem se deslocado semanalmente para Londrina de ônibus para treinar. É na cidade que ele também faz fisioterapia. Ele fez parte da equipe anterior e encontrou no basquete uma forma de superar a limitação. "Quando fiquei sem andar não fazia nada, porém a partir do momento que comecei a participar do projeto anterior não larguei mais do esporte. É muito importante este projeto, pois o esporte nos dá resistência e nos ajuda na integração à sociedade", valoriza.

Para o treinador, Wanderson Bonifácio, o aprendizado sobre o basquete em cadeira de rodas vem sendo construído de forma conjunta. Com carreira no basquete local, é a primeira experiência dele com este público. "É uma modalidade totalmente diferente, pois lidamos com a deficiência. Nossa expectativa é a melhor possível, pois queremos vê-los 'voando' longe. Eles estão com muita vontade e precisamos potencializar isso", ressalta.

O projeto "Pernas preciosas" ainda desenvolve trabalho com natação para deficientes. A meta é agregar mais modalidades de esportes adaptados.

SERVIÇO - Mais informações sobre o projeto pelo fone (43) 99801-1128

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