Garotos 'fujões' voltam para casa
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quarta-feira, 16 de março de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Acabou ontem de manhã o sofrimento e a angústia das duas famílias de Londrina que estavam à procura dos adolescentes Josnei Antônio dos Santos, 13 anos, e Oscar Leopoldo Ohlmann Júnior, 15 anos. Eles haviam fugido de casa na tarde de segunda-feira e ontem foram reconhecidos por um caminhoneiro em Nova Esperança (35 km a noroeste de Maringá), que viu a foto dos dois amigos publicada pela Folha e acionou as famílias. Eles foram abordados por conselheiros tutelares. Ontem mesmo, os dois retornaram para casa e contaram os motivos da fuga e o que sofreram e aprenderam com a experiência.
Os dois decidiram fugir no domingo: Josnei queria ir morar com uma irmã em Rosana, interior de São Paulo, e Oscar confessou que também queria sair de casa mas que sua intenção foi mesmo acompanhar o amigo para que não viajasse sozinho. Eles emprestaram uma bicicleta e fugiram no início da tarde de segunda-feira. Por duas noites dormiram no acostamento de estradas e sentiram o frio da madrugada, pois só tinham as roupas do corpo e apenas um lençol. ''Minhas mãos pareciam que iam congelar'', relembrou Oscar. Num outro trecho da jornada, os dois também quase foram atacados por um andarilho. O homem dormia em um matagal e quando viu os amigos pediu que eles lhe entregassem seus pertences. Por pouco, conseguiram fugir e continuaram caminhando.
A fuga acabou ontem de manhã em um posto de combustíveis nas proximidades de Nova Esperança. Um caminhoneiro lia a reportagem da fuga publicada ontem pela Folha de Londrina quando reconheceu os dois adolescentes pelas fotografias. Ele parou e pediu que Josnei ligasse para os pais e pedisse que fossem buscá-los. Depois, acionou a Polícia Militar que encaminhou o caso para o Conselho Tutelar da cidade. Por volta das 13 horas, exatamente 48 horas depois de terem fugido, eles reencontraram suas famílias.
Josnei justificou que não é feliz em Londrina, cidade onde a mãe faleceu. Ele prefere morar em Rosana, perto de uma irmã. Ele disse que sofreu um pouco mas gostou da experiência. Só não imaginou que sua família fosse entrar em pânico. ''Eu achei que ligando, dizendo 'pai' e mostrando que estava vivo, eles iam ficar mais trânquilos'', comentou. Já Oscar confessou que quer esquecer o que passou. ''Foi péssimo. Nunca passei por nada pior até hoje'', apontou. Nenhum dos dois pensam em repetir a façanha. ''Desse jeito nunca mais quero sair de casa'', falou Josnei.
Para os pais, o dia de ontem, foi de alívio e felicidade. ''Encontramos os dois sujos e fedidos. Mas foi uma benção de Deus eles estarem bem'', comemorou Márcia Aparecida Vieira Ohlmann, 42 anos. A madrasta de Josnei, Eliane Almeida Santos, 33 anos, também agradeceu que eles não se machucaram. ''Hoje, graças a Deus, foi só felicidade'', apontou.


