O inverno ainda nem começou e casos de acidentes com queimaduras provocadas por fogareiros improvisados dentro de casa já começam a preocupar médicos do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário, que alertam para o risco deste costume. Ontem um garoto de 11 anos teve 53% do corpo queimado, dentro de sua residência, no Jardim Ideal (Zona Leste), ao tentar reacender uma pequena fogueira feita com lenha e jornais que se encontrava próxima a uma lata de tíner (tipo de solvente usado para dissolver tintas).
''Como a casa é muito fria, nós costumamos utilizar a lenha para esquentar. Enquanto eu estava fazendo meus serviços, ele foi reacender o fogo e não se deu conta do risco que o tíner poderia trazer. Assim que ele acendeu a chama, ela encostou na lata, que explodiu nele. Eu só o vi saindo gritando de casa'', contou a avó do garoto, Rosa Aparecida Alves.
O menino foi encaminhado consciente pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital Universitário com queimaduras de segundo e terceiro graus no tórax, abdômen, pernas e braços. Segundo a coordenadora da ala pediátrica do CTQ, a médica Maria Helena Dittrich, que atendeu o garoto, o seu estado é grave e ele deve permanecer sedado por alguns dias, enquanto passa por procedimentos de limpeza e aplicação de antibióticos na pele para evitar o risco de infecções.
''Ainda estamos realizando todos os exames necessários para precisar seu estado de saúde, mas podemos afirmar que ele corre risco de morte'', avaliou.''Quando um paciente apresenta uma extensão de queimadura na pele maior que 20% já consideramos o caso grave e quando se trata de uma criança, que ainda não tem a imunidade completamente desenvolvida, o risco é ainda maior.''
De acordo com a médica pediátrica, caso de queimaduras por tíner não são tão comuns em crianças, mas pode representar um grande risco para a saúde devido à alta combustão do material. Ela alerta que substâncias inflamáveis, como álcool, gasolina, querosene, tíner e gás, devem ser sempre armazenados fora do alcance de crianças e nunca utilizados na presença de alguma chama próxima. ''O álcool líquido, por exemplo, pode parecer inofensivo no conceito das crianças, mas pode causar queimaduras realmente graves, levando até à morte'', alertou.
Segundo dados do CTQ do HU, das 269 internações realizadas durante todo o ano de 2011, 26% (70) eram crianças de até 12 anos, com idade média de 4 anos. Entre as causas principais de queimaduras nestas crianças estão os escaldos (queimaduras por líquido quente), que representam 68%, e fogo, que representa 32% dos casos. Dos casos por queimadura com fogo, pelo menos 25% ocorrem durante a manipulação do álcool próximo a chamas.

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