Agnaldo GuilenPré-históricoO pequeno especialista lamenta dificuldade para conseguir material sobre o assunto no Brasil SERTANEJA - Um pequeno paleontólogo. Este é o perfil do garoto Artur Ferraz, de Sertaneja (63 quilômetros ao norte de Cornélio Procópio). Artur tem 9 anos. Desde os 3 anos, ele se dedica a estudos sobre dinossauros e a evolução da vida no mundo. Atualmente, cursa a 3ª série do 1º grau, mas é capaz de dar aulas sobre paleontologia para qualquer interessado.
O interesse pelos dinossauros foi despertado em Artur depois que assistiu ao filme Em Busca do Vale Encantado. ‘‘Eu não entendia muito mas me interessei demais pelos animais pré-históricos. Eles eram fortes e grandes’’, conta o garoto. Depois disso, passou a prestar atenção em tudo que se relacionava a dinossauros. ‘‘Eu comecei a pensar que poderia ser uma pessoa que soubesse tudo sobre dinossauros’’.
‘‘Ele não sabia ler mas queria livros sobre o assunto e tínhamos que ler para ele’’, relembra a mãe de Artur, Yara Luna Ferraz. A cada dia o garoto queria descobrir mais sobre o assunto, com o incentivo dos pais. ‘‘Começou a colecionar miniaturas, maquetes e livros das espécies e gastava horas desenhando e aprendendo sobre o assunto’’, acrescentou a mãe.
A família mora na Fazenda São Luiz, em Sertaneja, que pertence à família. Por isso, desde que nasceu, o menino tem um contato muito próximo com a natureza. O pai é agropecuarista e a mãe auxilia nos negócios da fazenda, de 120 alqueires, ocupada por soja, milho e gado. O comportamento de Artur, segundo a mãe, é de uma criança normal. ‘‘Apenas é mais quieto e dedicado aos estudos’’, explica Ferraz.
Ela disse que pela forte dedicação do garoto, às vezes ele é chamado de super-dotado. Isso já chegou a causar-lhe alguns problemas na escola. ‘‘Ele não é diferente das outras crianças, só que seus interesses estão voltados à leitura e aprendizagem’’. O irmão mais novo de Artur, André Ferraz, 7 anos, diz que ‘‘falta alguns parafusos no Artur porque ele às vezes fala sozinho’’.
Quando a mania por dinossauros começou, na época do lançamento do filme Jurassik Park, de Steven Spielberg, Artur tornou-se sócio do Clube dos Dinossauros, de São Paulo. Com o material que comprou, passou a deixar os brinquedos para se dedicar ainda mais aos estudos. ‘‘Pena que são poucos materiais sobre o assunto’’, lamenta Artur. Ele disse que se corresponde com paleontólogos mas nem sempre obtém respostas. ‘‘Sei que eles estudam muito e não têm tempo para me atender’’.
Em outubro do ano passado, Artur foi a Nova York com os pais, para conhecer o Museu de História Natural. ‘‘Foi uma experiência impressionante ver aqueles gigantescos fósseis’’, comentou. Segundo o garoto, no Brasil não conseguiram montar nenhum fóssil em museus até hoje por falta de verbas.
Das curiosidades paleontológicas preferidas por Artur, destacam-se os dentes da espécie Tyranossauros, que medem 18 centímetros. O garoto sabe explicar também que os primeiros animais a existirem foram as espécies aquáticas chamadas de Anomalocais. ‘‘É um gigante em miniatura, nenhum animal fugia dele’’, explicou. Já o Pikaia tem algum parentesco com o ser humano, por possuir coluna vertebral.
Parentes ‘‘Tem também o Opalínia que tinha oito olhos e uma tromba com chupador’’, ensina o garoto. Artur também aprende muito através dos programas Microsoft Dinossaurs. ‘‘Pena que estão em inglês, mas já consigo entendê-los’’, disse.
Outra curiosidade informada pelo pequeno estudioso é que as pombas são o parente mais próximo dos dinossauros. ‘‘Os ossos das pernas das pombas são dispostos de uma maneira bastante parecida com os das pernas dos dinos carnívoros, como o compsognathus e o deinoychus. Por causa disso, especialistas acreditam que ela se desenvolveu a partir desses animais.’’
Ele acrescenta que a cada ano são encontrados 6 fósseis de dinossauros no mundo. ‘‘O maior nome da espécie brasileira é o Micropaquesefalossauro. Já o mais pesado do mundo é o Brontossauro que pesa mais do que três aviões Boing 727 juntos.’’
Profissão Pequeno, mas esperto, Artur quer tornar-se um paleontólogo. Por enquanto, tenta manter contatos com pessoas interessadas na área. ‘‘É difícil porque ele não tem com quem conversar e trocar experiências. Tememos que perca o interesse por não ter mais material para estudar.’’
Ele sonha morar em Utah (EUA), onde existe uma cidade chamada Dinossauro e toda as ruas e avenidas levam o nome de alguma espécie. ‘‘Tem a Alamêda Triceratops, Via expressa Stegossauros, Boulevar Brontossauros.’’
Artur escreve alguns artigos para jornais locais, como a coluna Dinomania, publicada semanalmente no Jornal ‘‘A Cidade’’ de Cornélio Procópio. ‘‘Explico algumas curiosidades, como por exemplo que a palavra Dinossauro significa lagarto terrível e foi inventada por um inglês chamado Richard Ouren em 1842.’’ Quem quiser partilhar com ele a mania pelos dinossauros, basta ligar (043)-562-1287.

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