Garoto realiza sonho de ver mãe fora da cadeia
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Em maio deste ano, em entrevista para a Folha, o adolescente dizia que o que mais queria na vida era passar o Dia das Mães com a mãe dele. Naquele domingo seu desejo não foi realizado. A mãe do garoto de 14 anos é Eleni Aparecida Gimenes Tomaz, 43 anos, que estava presa desde janeiro acusada de tráfico de entorpecentes. Desesperado, o filho emprestou dinheiro e chegou a vender calça jeans mais nova do guarda-roupas para pagar um advogado. Para ele, o Natal foi ontem.
A artesã foi solta do 3º Distrito Policial (DP) no final da tarde de ontem. Eleni foi julgada inocente pela juíza da 2º Vara Criminal, Lídia Maejima. A Justiça acatou os argumentos de que as drogas apreendidas em sua casa, 190 gramas de maconha enterradas no quintal, pertenciam de fato a seu companheiro, Edson Alves de Souza, 31 anos. Ambos foram presos na mesma ocasião.
''Deus é fiel e não nos desamparou, obrigada meu filho por tudo o que você fez pela sua mãe'', disse a emocionada artesã nos braços do filho, assim que saiu da carceragem. Também com lágrimas nos olhos, o menino só soube agradecer o ''melhor presente de Natal que podia ter ganhado''.
Foi o amor do filho pela mãe que tocou o advogado Hamilton Laertes, procurado pelo adolescente, que lhe ofereceu R$ 70. ''Eu vim aqui (no 3º DP) e eles me disseram que para soltar ela só com advogado'', conta o menino. O advogado também se emocionou. ''Essa é uma das maiores satisfações da profissão'', disse.
O fim dos quase 11 meses de reclusão da artesã vai marcar uma nova fase na vida da família. Sem ver o pai violento há anos, os irmãos o outro tem 16 anos foram abrigados durante esse tempo pela avó e viram os recursos financeiros escassearem.
Hoje, ambos dividem os estudos com trabalho. Para poder ver a mãe sair da prisão, o mais novo teve que pedir algumas horas de folga na locadora em que trabalha há menos de um mês. ''Depois tenho que voltar para lá até o horário de fechar'', conta. O outro, que trabalha em uma farmácia, não conseguiu folga.
Mais calma, Eleni diz que só planeja ficar com os filhos e declarar a palavra de Deus. Segundo ela, apesar de sempre ter acreditado que seria julgada inocente, os pior dia de sua vida foi quando entrou na carceragem. ''Foi muito difícil.'' Para o filho, difícil foi visitar a mãe na cadeia. ''Ver as grades, as mulheres que choravam porque não tinham visita; não aguentava mais vir aqui.''
A mesma sentença que inocentou Eleni condenou o ex-companheiro a 4 anos e 6 meses de reclusão por tráfico de drogas. Ele já havia sido preso há alguns anos pelo mesmo crime. Na época, Eleni também foi detida mas liberada em seguida. Essa suposta reincidência e o fato da última prisão ter sido em flagrante é que dificultou a possibilidade de conseguir um habeas corpus para responder ao o processo em liberdade.


