Garoto que fez cirurgia rara passa bem
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Giovani Ferreira 
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está comemorando o sucesso de um transplante de medula óssea feita em um paciente com uma doença rara. Guilherme Malanchini Fehlberg, de 4 anos, sofre de osteopetrose, uma doença que se origina do desequilíbrio no metabolismo dos ossos, causando o que os médicos chamam de calcificação precoce. As pessoas que sofrem dessa doença ficam mais sujeitas a fraturas, por causa do endurecimento do osso.
Além de ser um caso incomum, pelas características da doença, ainda houve a dificuldade de se encontrar um doador compatível. Como a família não possuía um doador que correspondesse genéticamente, a alternativa foi fazer uma busca por um doador não aparentado. Através de um banco de busca coordenado por mecanismos internacionais, o doador foi encontrado na cidade de Nantes, interior da França.
De acordo com o médico Ricardo Pasquini, chefe do serviço de transplantes de medula óssea do HC, antes do procedimento cirúrgico a medula passou por um tratamento intensivo, de aproximadamente 24 horas ininterruptas, para a diminuição das células que podem causar complicações futuras ao paciente. Por ser de um doador não aparentado, a possibilidade de surgirem complicações é maior.
Pelas informações que têm conhecimento, o médico acredita que em todo o mundo foram realizados apenas 29 transplantes dessa natureza, com doador não aparentado, para uma doença rara como a osteopetrose. O HC de Curititba é o único hospital da América Latina credenciado a realizar transplantes com doadores não aparentados.
Pasquini destacou toda a mobilização feita pela equipe do HC para possibilitar o transplante. O trabalho envolveu a busca internacional pelo doador, o tratamento da medula, além do deslocamento de um funcionário do hospital, que foi buscar o transplante na França, e de uma técnica dos Estados Unidos, que auxiliou no desenvolvimento de todo o processo. A expectativa agora é com a chamada pega do transplante, que deve levar de duas a três semanas, para então esperar pela correção do osso.
Waldevino Fehlberg, pai de Guilherme, avaliou a cirurgia como algo fantástico. Falando de todo o sacrifício da família para curar Guilherme, o pai disse aliviado. Tudo o que a gente faz por um filho vale a pena. Natural de Linhares, Espírito Santo, Guilherme foi submetido ao transplante na quinta-feira. O paciente ainda deve permanecer no hospital por mais de seis semanas. Guilherme estava esperando pelo transplante há dois anos. A família, que já gastou mais de R$ 80 mil, fez diversas campanhas para arrecadar fundos para custear parte das despesas.
Em 20 anos o Hospital das Clínicas já realizou mais de mil transplantes. Aproximadamente 70% dos transplantes de medula óssea são realizados para corrigir problemas de leucemia e anemia plástica.


