Um garoto de 14 anos, morador de um bairro classe média-alta de Londrina está internado com suspeita de leptospirose. Seu pai, o corretor de seguros Marcelo Carmona, diz ter certeza que o filho foi contaminado dentro de casa. A residência da família fica no Jardim Santo Antônio (zona oeste da cidade), onde, segundo moradores, é muito comum a presença de ratos, que transmitem a doença através da urina.
Carmona afirma que há aproximadamente 30 dias começaram a aparecer muitos ratos em sua casa, e ele acredita que tenham vindo de um terreno localizado na mesma rua, que passou por limpeza. ‘‘Tinha muito mato lá, e como limparam tudo, os ratos foram para a vizinhança’’, diz o corretor. Ele conta que ficou preocupado e nas últimas semanas vem espalhando ratoeiras e veneno pela casa. ‘‘Nós conseguimos pegar um rato na sala de computador, onde meu filho passa grande parte do tempo.’’ No último sábado, Carmona contratou uma empresa para limpar a caixa d’água da residência, e foram encontrados nove ratos mortos sobre a laje.
De acordo com o corretor, seu filho, Mateus, começou a apresentar os primeiros sintomas (febre e dor de cabeça) na segunda-feira passada. Na sexta-feira ele já sentia fortes dores por todo o corpo e demonstrava irritabilidade. No domingo de manhã Mateus entrou em coma, mas ontem já apresentava melhoras e permanecia internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) no Hospital Evangélico.
Amostra de sangue do cachorro da família foi enviada ao Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e foi confirmada a presença da bactéria causadora da doença no animal.
A proprietária do terreno de onde o corretor acredita terem saído os ratos, Maria Aparecida Garcia Sanches, afirma que os ratos não saíram dali. Segundo ela, os ratos que aparecem no bairro são provenientes dos esgotos.
O médico responsável pelo caso, o infectologista Jan Walter Stegma, explica que a confirmação ou não de leptospirose só será possível dentro de duas semanas, com o resultado da sorologia. A doença atinge principalmente o fígado e os rins e pode levar à insuficiência renal aguda. De acordo com a chefe da Diretoria de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Mara Ribeiro, este ano já foram notificados sete casos de leptospirose em Londrina. Destes, quatros confirmados, um aguardando confirmação e dois descartados.

mockup