Garoto morre atropelado em posto
Uma fatalidade. Assim a maioria dos amigos e parentes definiu a morte do garoto Regionaldo Campos Miranda, três anos. Ele morreu atropelado anteontem à tarde no Posto Nossa Senhora de Fátima, à margem da PR-445, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). O corpo foi sepultado ontem no cemitério de Tamarana.
Segundo testemunhas, na hora do acidente o garoto estava brincando no pátio do posto, ao lado de uma caminhonete F-4000. Quando o motorista da caminhonete saiu com o veículo do local, logo após tomar um cafezinho na lanchonete, acabou passando com as rodas traseiras sobre o corpo da criança. Socorrido rapidamente, ele morreu poucos minutos depois, a caminho do hospital São Francisco, de Tamarana.
Regionaldo morava com a mãe e o irmão, de nove anos, em uma casa de madeira ao lado do posto. A mãe, Cleuci Aparecida Campos, trabalha na lanchonete do avô, Roque Marcondes; e o pai, José Miranda Sobrinho, mora em Campinas (SP). Ainda sem idade para ir à escola - ele completaria quatro anos no próximo dia 10 de maio -, Regionaldo costumava brincar com os amigos em frente à casa dele e acompanhar o movimento de carros e caminhões que passavam pela estrada.
A vida dele era brincar. Todo caminhoneiro que chegava fazia amizade. Ele sabia o nome de todo mundo, tinha muitos amigos, lembrou o tio Cloves Marcondes de Campos, 14 anos. Era muito conversador, brincalhão. Mas não era sempre que vinha para frente do posto. Ele ficava mais na parte de trás, em frente à casa dele. Foi mesmo um acidente, lamenta Romildo da Cruz, gerente do posto. Ele vai fazer muita falta.
Cruz disse que ninguém presenciou o acidente. Lembra apenas que o sitiante Irineu Antonio Vercezi, 51 anos, motorista da caminhonete F-4000, placa AAM-6135, parou no posto e desceu na lanchonete para tomar um café. Quando saiu, ligou o motor da caminhonete e tocou o veículo, sem perceber que a criança estava brincando ao lado. Nesta hora, um dos frentistas do posto viu o garoto no chão, já atropelado, e gritou.
Estiquei o pescoço e também vi o corpo do menino. O motorista da caminhonete ficou desesperado. A gente colocou o menino na caminhonete e levaram para Tamarana. Uma das funcionárias do posto, que foi junto na caminhonete, disse que eles ouviram o coração de Regionaldo bater até a entrada da cidade. Depois, foi só silêncio.
Assim que ficou sabendo da morte do filho, José Miranda Sobrinho veio para Londrina acompanhado com os irmãos, que também moram em Campinas e São Paulo. Ele disse que costumava vir para Tamarana pelo menos uma vez por mês para ver as crianças. A gente era muito apegado. Era um garoto muito bonito, lamentou o pai.
Logo após levar a criança até o Hospital São Francisco, o motorista Irineu Vercezi foi até a delegacia de Tamarana prestar depoimento. O sitiante deverá responder inquérito policial por homicídio culposo (sem intenção de matar). Ontem, a Folha não conseguiu falar com a delegada Ana Cristina Lino.





