Cambé O estudante João Pedro Gonçalves Lorandi, 10 anos, morreu ontem atropelado por uma caminhonete, conduzida pelo auxiliar-geral Rodrigo Antonio Girotto, 20. O acidente foi registrado por volta das 9 horas quando o menino e sua vizinha Vanessa Aparecida Lessa, 21, retornavam de um passeio matinal pelas ruas do Jardim Ana Rosa, área norte de Cambé (13 km a oeste de Londrina). Segundo testemunhas, o veículo teria perdido o controle, invadido a calçada e atropelado o garoto, antes de se chocar contra uma árvore. Girotto fugiu do local e foi preso, indiciado por homicídio culposo e omissão de socorro, mas pagou as taxas de fiança referentes aos dois crimes e foi liberado. Ele deve responder o processo em liberdade.
Segundo o delegado Valdir Abrahão, o auxiliar afirmou que estava com um corte profundo nos lábios e impossibilitado de se comunicar verbalmente. ''Ele afirmou que foi por isso que fugiu, mas nós entendemos que a justificativa era muito fraca e decidimos indiciá-lo também por omissão'', argumentou Abrahão. Com o ferimento, tornou-se inviável a aplicação do teste de bafômetro.
A caminhonete conduzida por Girotto, uma Chevrolet D-10 (placas AHA 1045), de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), é de propriedade de um vereador, de Cambé, patrão dele em uma indústria de reciclagem de resíduos sólidos. ''Criminalmente, o vereador não pode ser responsabilizado por nada. Mas a família pode impetrar uma ação cível por danos'', argumentou Abrahão. De acordo com o delegado, há pouco mais de 15 dias, Girotto e o filho do vereador afugentaram a tiros alguns ladrões da indústria de reciclagem. Só o filho foi indiciado por porte ilegal de armas. ''Eram duas armas naquele caso. A primeira o filho assumiu que era dele. Já a segunda, como estava com o número de identificação raspado, eles disseram que pertencia aos autores do furto'', explicou o delegado.
Abrahão disse ainda que é bem provável que o motorista estivesse em velocidade acima dos 80 km/h, em uma área urbana e de ruas estreitas. No depoimento, segundo o delegado, Girotto alegou que dirigia no máximo a 45 km/h. ''Os indícios levam a crer que eles estava em velocidade excessiva para aquele local''. Segundo o delegado, em seu depoimento, o motorista também teria dito que teve problemas de suspensão e não conseguiu controlar o carro.
Ontem à tarde, os familiares ainda aguardavam a liberação do corpo. A vizinha do garoto é a única testemunha do acidente. ''Ele me pediu para parar um pouquinho porque estava cansado. Além disso eu também estava com o braço (engessado) doendo. Quando vi o carro em nossa direção falei para ele sair de perto que algo poderia acontecer. Mas foi tarde, e empurrei ele para o canto do muro, mas ele voltou e foi atropelado'', contou Vanessa, que não foi feridano acidente.

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