Garoto de 14 anos é enforcado dentro de hospital
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sábado, 26 de fevereiro de 2005
Katia Michelle Pires<br>Equipe da Folha 
Curitiba Um adolescente foi morto por outros dois internos na noite de sexta, no Hospital Psquiátrico Adauto Botelho, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Lucas dos Santos, de 14 anos, foi enforcado com uma fronha enquanto dormia. Os suspeitos do crime são dois meninos, de 15 e 17 anos, que teriam se envolvido em uma discussão com a vítima durante o dia. Lucas era natural de Campo Mourão e já tinha passagem por outros hospitais psiquiátricos do Estado. Segundo informações obtidas pela Folha, o adolescente já tinha obtido alta médica, mas não foi autorizado pela Justiça a sair do hospital.
A direção do hospital não quis se pronunciar sobre o assunto e adiou para segunda-feira um posicionamento sobre o crime e se houve negligência. Policiais Militares foram chamados para reforçar a segurança do local. Segundo o deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, a direção do hospital e a Secretaria Estadual de Saúde teriam sido alertadas da situação precária da instituição em uma reunião na semana passada. ''O hospital não tem condições de abrigar adolescentes infratores, o número de funcionários é insuficiente e os servidores são constantemente ameaçados de morte'', afirmou o deputado.
O Hospital Colônia Adauto Botelho existe há 50 anos e é especializado em psiquiatria. A instituição possui 280 leitos lotados e ainda leitos extras instalados conforme a necessidade. Há três anos, o hospital passou a atender mandados juciciais e abrigar adolescentes infratores que receberam diagnóstico de problemas mentais. Atualmente, 14 adolescentes nessa situação estão internados no hospital. Quatro deles são suspeitos de participarem do assassinato de Lucas e ontem foram sedados e trancados nos quartos, segundo informou Mari Elaine Rodella, diretora do Sindicato dos Servidores de Saúde do Paraná (Sindsaúde).
O sindicato exigiu da direção do hospital uma posição para garantir a segurança dos cerca de 150 funcionários. ''Apenas dois funcionários trabalham nos finais de semana e nos plantões e não há condições adequadas de trabalho'', diz Mari. Para ela, o que aconteceu ontem foi resultado da omissão do Estado e da direção do hospital. ''Eles já haviam sido alertados da situação crítica do Adauto Botelho''.


